Fusão entre Paramount e Warner é concluída pelo Cade em meio a incerteza nos EUA
#Edição150 | Decisão do Cade é única e demonstra como o Brasil está afogado no lobby irrestrito dos grandes conglomerados de mídia
A Paramount Skydance admitiu que não conseguirá concluir os processos da compra bilionária da Warner até o dia 30 de setembro deste ano, isso porque mesmo recebendo as autorizações regulatórias necessárias do governo Trump, já que o dono da Paramount Skydance, Deivid Elisson, é filho de Larry Ellison, um grande amigo e também um grande doador da campanha do atual presidente dos EUA, um grupo de doze estados liderado pela Califórnia entrou na justiça para tentar barrar a aquisição por entender que ela será um grande impacto na livre concorrência da indústria audiovisual estadunidense.
Por conta disso, a Paramount assinou um acordo com os doze estados, no qual se compromete a adiar o processo de aquisição da Warner até que haja uma resolução judicial ou até o dia 1 de junho de 2027. Este acontecimento ocorrer em pleno governo Trump é algo a se salientar, já que a corrupção que se estende no governo atual pode ser até mais escandalosa e nítida do que a que ocorreu na terra do Tio Sam no período da presidência de Ronald Reagan, um político que faria qualquer nome do centrão parecer o Chico Bento e Zé Lelê pegando as goiabas do Nhô Lau.
Enquanto isso, em terras tropicais, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) decidiu pela liberação geral ao concluir e arquivar o processo de fusão entre Paramount e Warner. Após uma avaliação da área “técnica” do órgão sobre segmentos como distribuição de filmes para cinemas, serviços de streaming, publicidade e propriedades intelectuais das duas empresas, os responsáveis pela análise não viram problema em liberar a fusão, por não entenderem que ela ameace o livre mercado no país.
Este não é o primeiro “erro” do CADE no que tange grandes fusões, em um passado recente, o órgão liberou a fusão entre Warner e AT&T, infligindo diretamente os artigos 5 e 6 da Lei do SeAC (popularmente chamada de Lei da TV Paga), que falam sobre a proibição da propriedade cruzada, já que um canal de TV nao pode ser também um operador, e na época a AT&T era dona da SKY, o que deveria ter impedido a fusão pela Warner ser a dona de um número considerável de canais da TV fechada no Brasil.
Como sempre, a força dos lobistas se prova grande no Brasil; com isso, as normas técnicas e a própria constituição são deixadas de lado em prol dos interesses privados de poucas pessoas. Nem mesmo dentro da Toca do Lobo se encontra tanta parcimônia por parte dos órgãos regulatórios quanto em seu quintal. Enquanto isso, caso a fusão seja aprovada em terras ianques, o mercado brasileiro estará em maus lençóis por conta da decisão absurda da área “técnica” do CADE, mostrando mais uma vez que, em terras brasileiras, só não vai atrás do trio quem já morreu.
No entanto, a decisão unilateral brasileira não assusta quem está atento às movimentações políticas do setor. O lobby arquitetado pela Strima, pela não regulamentação do streaming, tem feito com que o país caia no colo dos grandes conglomerados hollywoodianos, que seguem vendo oportunidade de ampliar o domínio de mercado, enquanto a plataformização da televisão ganha força, junto à manutenção do poder da radiodifusão (para entender melhor a questão, leia o artigo semanal do Simplificando Cinema).
A paralisação do acordo nos Estados Unidos também pode gerar prejuízo para a Paramount, que pode ter de pagar cerca de US$ 1,7 bilhão em taxas de atraso aos acionistas da Warner. (No TaviLatam)
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Site reúne informações sobre as 24 Film Commissions brasileiras
Foi lançado nesta semana um portal que reúne informações das 23 film commissions existentes no Brasil, facilitando a comunicação entre produtoras nacionais e internacionais interessadas em filmar em locais públicos dessas film commissions.
O site disponibiliza informações, como destino, contatos institucionais e de suporte técnico, com o intuito de facilitar o contato das produtoras com as instituições e órgãos responsáveis pela autorização das filmagens. O site é de domínio da Embratur e pode ser acessado por meio deste link.
HBO Max aposta em feed vertical com conteúdos curtos
Após Disney+ e Netflix apostarem no segmento de vídeos curtos, chegou a vez da HBO Max investir no formato. A opção ainda está em fase de testes para um grupo seleto de clientes nos EUA e somente no app para celulares, mas a empresa já afirmou que pretende expandir essa nova aba para mais aparelhos, sistemas operacionais e países. A seção foi chamada "HBO Max Shorts". Ela apresenta cenas de séries e filmes disponíveis no catálogo do serviço, concebida pela empresa como mais uma forma de descoberta de títulos pelos usuários.
O formato de vídeos curtos se popularizou por conta da plataforma TikTok, e logo tornou-se famoso o suficiente para entrar no radar das empresas de streaming que são conhecidas por embarcarem em toda moda que surge, tudo isso como uma tentativa de aumentar sua audiência para que finalmente consigam dizer que ela é tão grande quanto as empresas afirmam que já é.
Nesta febre, também surgiram produções pensadas para vídeos curtos e verticais, o que deixa a pulga atrás da orelha quanto à precarização do emprego. Surgiram serviços de streaming exclusivamente voltados para esse formato e outros que entraram na onda. Nos questionamos se, por exemplo, roteiristas que criarem uma série ou novela com 45 capítulos de 2 minutos cada recebem o mesmo que receberiam por um longa de 90 minutos? Ou as empresas viram neste formato uma oportunidade tanto de ampliar sua audiência quanto de aprofundar ainda mais as relações trabalhistas com os profissionais responsáveis pela criação de suas produções? O que nos resta é observar qual será o futuro do segmento de vídeos curtos nos serviços de streaming. (No TaviLatam)
América Latina 60+: Por Um Cinema Antietarista
Para quem acompanha mais de perto o cinema brasileiro, é perceptível que, nos últimos anos, há uma presença maior de atores e atrizes 60+ protagonizando filmes ou desempenhando papéis de destaque. Isso significa, principalmente, mais oportunidades para trabalharem e desenvolverem suas aptidões artísticas.
É o caso dos mineiros Rejane Faria e Carlos Francisco, que vêm realizando inúmeros trabalhos de grande projeção, da atriz alagoana Aline Marta Maia, da excelente Teca Pereira, da carismática Tânia Maria e de diversos outros nomes que vêm conquistando espaço e se destacando no circuito.
De dez anos para cá, o cinema nacional vem adotando novas posturas e, consequentemente, se renovando. Em diversos países da América Latina, vemos um movimento semelhante de valorização e de oportunidades para atrizes e atores 60+, explorando novas narrativas e possibilidades, algo muito conectado à realidade latino-americana e ao envelhecimento de sua população. Há inúmeras produções alinhadas a esse pensamento, que confrontam o etarismo e provocam o grande público.
São discussões como essas que impactam e transformam a visão das pessoas. Com certeza, muitos espectadores saíram reflexivos ou despertados após assistir ao contundente O Último Azul, de Gabriel Mascaro, um dos melhores filmes de 2025 no circuito mundial, disponível na Netflix.
Abaixo, deixamos três dicas de filmes que abordam como a sociedade capitalista e etarista transforma o envelhecer em um fardo, escancarando as contradições de um sistema que ignora o ciclo natural da vida e não se prepara para o envelhecimento humano:
Wiñaypacha (Óscar Catacora, 2017 — Peru)
Um longa-metragem primoroso e realista sobre um casal de idosos octogenários desamparados no alto dos Andes, cercados por paisagens tão belas quanto impiedosas, enquanto aguardam em vão o filho que foi para a cidade e nunca mais voltou. (Disponível na FILMICCA)
Kasa Branca (Luciano Vidigal, 2024 — Brasil)
A história do amor incondicional entre um neto e sua avó que, com o apoio dos amigos, conseguem driblar as duras dificuldades impostas pela desigualdade social. (Disponível no Globoplay)
Agente Duplo / El Agente Topo (Maite Alberdi, 2020 — Chile)
Mais uma grande obra do documentário chileno, indicada ao Oscar de Melhor Documentário em 2021. O filme faz uma reflexão bem-humorada sobre pessoas idosas, sem deixar de abordar a dura realidade do abandono familiar. (Disponível no YouTube)
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Um ótimo final de semana a todas, todes e a todos. Bons filmes!
Por Angelo Corti, idealizador da página Cine Livre Latino-Americano
Disney+ reforça aposta em produções originais argentinas e anuncia datas de seis estreias
A Disney+ apresentou seu novo pacote de produções originais argentinas para 2026 e início de 2027, reafirmando o compromisso com a produção local por meio de um slate que combina ficção, entretenimento e formatos consagrados. A programação inclui sete estreias, entre elas novas séries, o retorno de Popstars — um reality musical exibido simultaneamente com a Telefe — e a segunda temporada de Coppola, el representante.
Com lançamentos programados entre agosto e novembro deste ano, a plataforma afirma que está consolidando seu compromisso com o “desenvolvimento” do audiovisual na região, embora aproveite o ambiente sem regulamentação para impor suas próprias condições de produção, o que gera poucos empregos em um país já destruído pelo neoliberalismo. (No TaviLatam)
K&S Films lança no Uruguai programa de formação de roteiristas com apoio de Netflix, ACAU e CAF
A produtora argentina K&S Films — responsável por O Eternauta — abriu as inscrições para a fase piloto de “Temporada Cero”, um programa gratuito de formação em roteiro de séries que acontecerá no Uruguai entre setembro e novembro, com apoio da Netflix, da Agência do Cinema e do Audiovisual do Uruguai (ACAU) e do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF).
A iniciativa busca formar uma nova geração de roteiristas especializados em narrativa seriada, com foco no trabalho em salas de roteiro, no desenvolvimento de projetos com potencial de circulação internacional e na criação de propriedade intelectual uruguaia.
O mesmo tipo de programa também está em curso no Brasil, o que deveria acender um alerta para a região, que ainda está legalmente desprotegida no streaming. Aos poucos, as plataformas de streaming compram apoio da opinião pública e podem transformar totalmente a narrativa e a estética do cinema latino em mais um enlatado norte-americano. (No Cveintiuno)






