Simplificando Cinema #108
Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados receberá mobilização do setor audiovisual em defesa a regulamentação do streaming
Na próxima quarta-feira, dia 6 de agosto, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, recebe uma mobilização do setor audiovisual em prol da regulamentação do streaming.
O encontro, previsto para às 14h no Plenário 10, já conta com o apoio de deputados sensíveis aos Projetos de Leis já apresentado nas casas legislativas (2.331/22 no Senado e com relatoria atual de Jandira Feghali, e 8.889/17, com relatoria atual de André Figueiredo).
O objetivo é ampliar o apoio parlamentar na defesa e permanência de pontos da regulamentação sensíveis à preservação dos direitos patrimoniais das obras brasileiras e uma justa cobrança do Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) para que se tenha um impacto relevante na economia audiovisual do país.
Além disso, o encontro serve para demonstrar que o setor, além de unido, possui forças para brigar contra a possibilidade do lobby das plataformas, que já foram vistas tramando contra os interesses nacionais em jantar com figuras do Ministério da Cultura.
Após a reunião na Comissão de Cultura, entidades do setor audiovisual se encontrarão com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e outros líderes partidários que já demonstraram interesse. (No Cine Ninja)
Prêmio Grande Otelo tem destaque para “Ainda Estou Aqui” e defesa da regulamentação do streaming
Na última quarta-feira, dia 30 de julho, ocorreu a cerimônia do Prêmio Grande Otelo, promovida pela Academia Brasileira de Cinema, e teve como grande destaque o longa-metragem dirigido por Walter Salles, “Ainda Estou Aqui”, vencedor também de Melhor Filme Internacional da última edição do Oscar.
O longa, que permaneceu em cartaz nos cinemas brasileiros por 5 meses, levou 13 prêmios para casa, incluindo Melhor Diretor para Walter Salles e Melhor Atriz para Fernanda Torres.
Durante o discurso de recebimento do prêmio, Salles chamou atenção para a regulamentação do streaming, tema que não deixa os noticiários mais atentos do mercado audiovisual, e enfatizou que a regulação deve ser justa, ou seja, que os profissionais e empresas brasileiras consigam realmente se beneficiar de uma possível simetria do mercado.
Além disso, o diretor não deixou de lembrar que a janela de exibição das salas de cinema também deve ter uma regulamentação, aumentando o espaço entre o streaming para que os filmes brasileiros também possam ser mais beneficiados.
Embora seu último trabalho tenha permanecido por meses nas salas de cinema, não podemos deixar de lembrar que o recente caso de “Homem com H” abriu este debate novamente, que envolve também a perda de lucros. (No TelaViva)
Mercado Livre passará a comercializar Globoplay
A partir desta semana, assinantes do Meli+, programa de fidelidade do Mercado Livre, poderão acessar um desconto entre 15% e 30% na assinatura do Globoplay. Segundo Julia Rueff, diretora-executiva da plataforma de streaming da Globo, a parceria permite que o serviço chegue a mais brasileiros, ampliando assim sua base de clientes frente à concorrência.
O programa da gigante do marketplace já possui parcerias semelhantes com o HBO MAX, Disney+, Paramount+ e Universal+.
Embora não seja bem novidade, essa mexida de mercado também é uma preocupação para a regulamentação do streaming no longo prazo. Afinal, o Mercado Livre se posiciona como uma espécie de agregador, bem aos moldes das operadoras de TV por assinatura, algo que deve se solidificar com a chegada da TV 3.0 nos próximos anos. (No TaviLatam)
Cine Esperança – A Luta Continua
Em questões políticas, a cada dia que passa é cada vez mais deprimente. São ameaças de tarifaço do Trump, é o “bananinha” querendo livrar o pai da cadeia, Israel usando a fome como arma de guerra contra os palestinos que sofrem um verdadeiro genocídio, enquanto o mundo acompanha em tempo real e ninguém faz nada.
Na América Latina, com o crescimento da extrema-direita, pode tornar as coisas ainda piores do que estão. Em El Salvador, o país com a maior taxa de encarceramento do mundo, o presidente Nayib Bukele praticamente se autoproclamou ditador, com a aprovação de reeleição ilimitada. Eis aqui um bom exemplo de como a extrema-direita adora uma democracia. São um bando de hipócritas. De gente sem caráter. O que está em jogo é o interesse pessoal e de pequenos grupos. Está cada vez mais clara a intenção dessa gente.
O Chile é outro país que corre um sério risco do retorno da extrema-direita. Vamos torcer pela principal candidata da esquerda, Jeannette Jara, do Partido Comunista Chileno, ex-ministra do Trabalho e Previdência Social do governo de Gabriel Boric, que vem liderando as pesquisas presidenciais. Mas haja saúde mental.
Lendo sobre El Salvador do ditador Bukele, me veio à mente, “Terra em Transe”, do mestre Glauber. Captou melhor que ninguém o seu tempo. "Pela harmonia universal dos infernos. Chegaremos a uma civilização". Vamos todos agonizar sem resolver os problemas de El Dorado. As nossas agonias se tornam arte e nos mantêm e nos ajudam muito a seguir em frente.
Vem a notícia que o país saiu do mapa da fome e continua com graves problemas de moradias, dentro de tantos outros que temos, como o aumento do feminicídio e uma infinita lista que os bolsonaristas sempre ajudam a aumentar.
Apesar de tantos problemas que temos no país, o cinema nos ajuda a ter esperança, um cinema que adentra a vida de pessoas que não tem opção de desanimar, que lutam diariamente por direitos, informação e conhecimento.
E as redes sociais, por mais problemas que tenham, acabam ajudando as pessoas em fragilidade social a ter visibilidade e ajudando inclusive a sonhar, como nos mostra o filme “Tijolo por Tijolo”, de Victória Álvares e Quentin Delaroche, 2024, vencedor de Melhor Direção, Edição e Crítica no 13º Olhar de Cinema, e chega nas salas de cinemas dia 14 de agosto. Sabemos que será em alguns cinemas privilegiados.
Um filme que representa a história de vida de Cris e sua família. A espera do 4º filho, ela sonha tijolo por tijolo, com a reconstrução de seu lar, lutando pelo direito à laqueadura, enquanto cria seus filhos na periferia de Pernambuco. Vários problemas atravessam sua vida, como a COVID-19, os problemas de chuvas e desabamentos, onde o povo se ajuda e Cris e sua mãe estão aí presentes fazendo essa frente de solidariedade, na falta da presença do Estado. É um filme emocionante e tem distribuição da Olhar Filmes. Peçam o filme em suas cidades, cineclubistas, instituições. Excelente filme, rende um grande debate sobre política.
A questão de moradia é realmente preocupante, principalmente com esses governos de direita cada vez mais acelerando o processo de gentrificação das cidades. “Muita gente sem casa. Muita casa sem gente”. Inclusive esse foi o tema do ciclo do cineclube que faço parte tratando sobre as questões de moradia tanto nas regiões urbanas quanto no campo.
No SPCine Play, temos uma dica de ouro sobre o assunto moradia, continua na plataforma a mostra “Nossa Terra Nossa Voz”, com a curadoria de Carol Almeida e Kênia Freitas. Nossas dicas são os curtas, “A Cercadacana”, de Felipe Peres Calheiros, 2010, que representa a história de Maria Francisca que decidiu resistir no lugar onde já morava a mais de 40 anos.
Cercada por plantações de cana, nos revela parte da história mais recente do país e os efeitos do agronegócio, no êxodo rural, no inchaço das periferias, no aumento da pobreza. O outro curta-metragem, o frenético, “Estamos todos Aqui”, de Chica Andrade e Rafael Mellim, 2018. Enquanto as pessoas da favela da Prainha no Guarujá – SP lutam por moradia digna, acompanham a riqueza saindo do país através dos trilhos que cortam a comunidade rumo ao Porto de Santos.
Levando a luta para o campo, temos duas dicas de longa-metragem, um dos grandes filmes latino-americanos sobre a luta pela terra, o longa colombiano, "Nuestra Voz de Tierra, Memoria y Futuro" (1981), da dupla de documentaristas, Marta Rodríguez e Jorge Silva, que realizam filmes mostrando a realidade do trabalhador do campo na Colômbia e a luta dos indígenas pela devolução de suas terras, muito bem representada também no longa-metragem "Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: Essa Terra É Nossa!", de Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu, Roberto Romero, 2020. Cinema realizado por indígenas, renovando nossa cinematografia, representando o povo Maxakali da região do Vale do Mucuri, em Minas Gerais, que lutam na preservação de seu território invadido por grileiros e fazendeiros, enquanto traduzem toda a sua cultura com a luta pela terra denunciando a violência sofrida pelos não indígenas.
Onde está a esperança em todas essas dicas de filmes? Está na resistência de um povo, que pode se levantar. É o maior medo das elites que por meio de pequenas concessões tentam controlar um povo. Mas quando o povo se sente abandonado o próprio povo faz a Revolução.
Bons filmes!
Por Angelo Corti, idealizador da página Cine Livre Latino-Americano
Netflix amplia investimentos na Colômbia e tenta se aproximar cada vez mais do mercado latino
Em um mercado bastante valorizado para as plataformas de streaming e sem indícios de possíveis regulamentações no futuro, a Netflix vem tentando estreitar laços com diversos países latinos.
Após o anúncio do investimento de US$1 bilhão, diluídos em 4 anos, jurando estar fazendo algo relevante no México, a gigante do streaming volta suas atenções para a Colômbia, que já está chegando ao top 3 de maiores mercados da região, perdendo apenas para os próprios mexicanos, Brasil, e uma singela menção a Argentina, mas não por muito tempo.
Na Colômbia, a Netflix revelou a intenção de produzir apenas 10 novas produções, por enquanto, um efeito direto do sucesso da série “Cien Años de Soledad”, baseada na obra do grande escritor Gabriel García Márquez.
Embora paguem um alto IVA no país, assim como no Chile, os investimentos da plataforma no país seguem bastante pífios para quem, em recente jantar com autoridades brasileiras, citou este mesmo imposto como uma forma de arrecadação. (No TaviLatam)
Peru se destaca como destino produções audiovisuais
A 40º edição do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México, contou com a presença do PROMPERU, órgão estatal responsável pelo desenvolvimento do país também no exterior.
Na ocasião, o PROMPERU esteve presente para divulgar e atrair novas filmagens internacionais para o país por meio da Film in Peru, iniciativa do Ministério do Turismo peruano.
Por ser um dos festivais de cinema mais importantes da América Latina, o Festival Internacional de Cinema de Guadalajara pode dar ao Peru o título de um dos melhores destinos latinos para produções cinematográficas, já o currículo do país conta com produções da Netflix, BBC e Telemundo.
No entanto, vale lembrar que apesar da promoção exacerbada para o cinema internacional, o Peru vive sua própria crise com o mercado interno, tendo aprovado recentemente uma legislação que corta investimentos estratégicos para o cinema nacional, como a Ley Tudela. (No Arte por Excelencia)
Uruguai formaliza a criação da Academia Nacional de Cinema
Seguindo firme com o seu propósito de se tornar um país de referência no mercado audiovisual, o Uruguai começou a formalizar sua Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, cujo objetivo é promover o cinema nacional e criar sua própria premiação, sendo um órgão semelhante ao que existe nos Estados Unidos (Oscar), Espanha (Goya) e França (César). O convite para os primeiros membros já começaram a ser enviados.
Além disso, a nova Academia de Artes e Ciências Cinematográficas do Uruguai que garantir investimentos para a formação de novos profissionais, solidificando uma indústria em franco desenvolvimento no paisito. (No Busqueda)






