Simplificando Cinema #111
Hugo Motta recebe setor audiovisual para falar sobre regulamentação do streaming; ausência do MinC chama atenção

Na última quarta-feira (20), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, recebeu representantes de algumas entidades do audiovisual, a deputada – e relatora atual do PL – Jandira Feghali e o diretor da Ancine, Paulo Alcoforado, para falar sobre a urgência da aprovação da regulamentação do streaming pelas casas legislativas.
Segundo a reportagem da Folha, a reunião durou 40 minutos e Motta reconheceu a necessidade do debate e posterior aprovação do tema, que já se arrasta há anos. No entanto, apesar de acenar positivamente, o presidente da Câmara não descarta tirar Jandira da relatoria, se comprometendo, porém, pelo nome do deputado André Figueiredo, uma opção apontada por Jandira semanas atrás.
A indecisão da relatoria chama atenção por ser visto como uma manobra para tentar enfraquecer o PL em prol dos conglomerados estrangeiros, algo que já havia sido costurado no infame jantar entre as plataformas de streaming e o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares.
E por falar na figura do secretário, a reportagem chama atenção para a ausência dele e da ministra Margareth Menezes durante o encontro, ficando o MinC de fora, mais uma vez, de uma pauta que dizem tanto defender.
É claro que em um país de dimensões continentais, a falta de resolução da regulamentação do streaming está longe de ser o único problema de um Ministério que não vem recebendo a devida atenção desde a sua reconstrução neste atual governo Lula (e por razões maiores até do que a vontade política – ou a falta de).
Mesmo assim, é no mínimo curioso que as duas figuras mais importantes da pasta, com ênfase ao secretário-executivo, que passou as últimas semanas se defendendo e tentando colar a figura de apoiador do setor audiovisual, deixe de estar ao lado das mesmas entidades que jura defender em um dos encontros políticos mais importantes para o audiovisual nos últimos anos.
Apesar da proximidade da Câmara ter sido celebrada pelo setor, ainda é um tema que gera atenção e pressão contínua.
Financiamento da TV 3.0 pode custar até R$ 11 bilhões
Segundo o setor de radiofusão, a transição da TV aberta para a TV 3.0 custará algo entre R$ 9 bilhões - R$ 11 bilhões. O tema foi um debate centrão na SET Expo 2025, que ocorreu em São Paulo, ao longo desta semana. O governo federal disse buscar uma linha de crédito de US$ 100 milhões para apoiar o setor.
O presidente da ABERT, Flávio Lara Rezende, destacou como o financiamento público será essencial neste momento, "Nós precisamos de ter uma linha de crédito, de financiamento público para que a gente possa fazer essa travessia". Rezende ainda ressalta que a TV 3.0 é uma forma da radiofusão para competir com as plataformas digitais, já que elas não possuem obrigações fiscais e regulatórias.
Entendemos o ponto do presidente da ABERT, mas precisamos destacar aos nossos leitores que tampouco a TV 3.0 possui obrigações fiscais e regulatórias, o que a idealizadora deste projeto já cansou de gritar para as nuvens que será um erro dantesco não incluir a futura TV 3.0 no PL de regulação do streaming já que o próprio streaming também se moverá em direção a este novo modelo de negócios.
A falta de regulação e obrigações fiscais do streaming foi ponto de debate entre os CEOs das 4 maiores emissoras de TV aberta do país - Globo, Band, SBT e Record. Os quatro foram uníssonos sobre o tema ao falar que, diferente das plataformas digitais, a TV possui regulação e questões financeiras bem estabelecidas faz um tempo considerável, e luta contra um modelo de negócios sem regulação, sem recolhimento de impostos como o Condecine, sem obrigatoriedade de prestação de contas, como relatamos na errata da semana passada sobre o quão difícil é estipular arrecadações do setor sem que se obrigue as plataformas a divulgarem tais dados.
Contudo, entretanto, todavia, antes que digam o dito pelo não dito e coloquem palavras em nossas bocas – que neste caso está mais para dedos –, deixamos claro aqui que a nossa interpretação da crítica desses CEOs vai muito mais em direção do "desregula a TV aê!" do que uma união pela regulação do streaming no país, até porque a própria Globo já possui uma plataforma de streaming bem estabelecida, sendo uma das maiores que atuam no Brasil, o Globoplay. (No TelaViva)
Xsports estreia na TV aberta somando 2 milhões de telespectadores em 3 dias
No último sábado, 16 de agosto, estreou no Brasil o canal de TV aberta/fechada focado 100% em esportes, o Xsports.
Com transmissão de jogos das quatro principais ligas de futebol da Europa: Premier League (Inglaterra), Serie A (Itália), Bundesliga (Alemanha) e La Liga (Espanha). No futebol, ainda conta com competições de menor destaque como o Campeonato Português de Futebol. O canal também transmite modalidades famosas como atletismo, basquete, vôlei, automobilismo.
Segundo dados do Kantar Ibope Media, nos três primeiros dias de funcionamento do canal (16, 17 e 18 de agosto) a emissora teve a audiência de mais de 2 milhões de pessoas em todo o Brasil. Vale destacar para nossos leitores que 2 milhões de telespectadores na TV aberta são 2 realmente 2 milhões de aparelhos conectados no canal, em nada se assemelha a métrica das visualizações como ocorre no caso das transmissões esportivas no YouTube, onde um mesmo aparelho pode somar mais de uma visualização.
Os dados da audiência obtida pelo canal Xsports em sua estreia mostram o porquê o streaming trabalha tanto para levar transmissões esportivas e eventos ao vivo para suas plataformas.
Diferente do que muitos especialistas formados por canais de YouTube pensam, um jogo do Flamengo pela Libertadores/Brasileirão, um Liverpool vs Manchester United, o maior clássico do futebol inglês, ou um Barcelona vs Real Madrid, maior clássico do futebol espanhol e um dos maiores produtos das transmissões ao vivo a nível mundial, acumulam mais audiência que qualquer episódio de qualquer série famosa do streaming.
Se há quem ainda duvide que os eventos ao vivo entraram de vez na realidade dos streamings, aqui vai mais uma prova. A Netflix transmitirá a luta entre Jake Paul e Gervonta Davis em sua plataforma no dia 14 de novembro.
Não é a primeira luta de boxe transmitida pela Netflix, no final do ano passado, um dos eventos destaques na plataforma, inclusive aparecia como publicidade no plano com anúncios, foi a luta entre o mesmo Jake Paul e o lendário pugilista Myke Tyson.
A transmissão linear ainda é muito forte, os dados apresentados ao longo das edições desta newsletter deixam isto bem claro, o streaming em sua corrida para tomar o lugar da TV paga jamais deixaria essa oportunidade passar, então a tendência é que a programação linear tenha ainda mais espaço nessas plataformas. (No TelaViva)
A juventude no Cinema Latino-Americano
Como você vê a juventude brasileira na atualidade? Essa nova geração do século XXI? Infelizmente temos uma mania de colocar todos “no mesmo saco”, mas realmente boa parte da juventude continua, dentro de seu contexto, alienada, sem muito pelo que lutar. Que na realidade não é esse o caso. Temos muito pelo que lutar.
A minha geração do final dos anos de 1970, que cresceram na redemocratização do país, também dentro de seu contexto era uma juventude alienada, condicionada a sonhos capitalistas e embalada pelo excelente Rock Nacional. Felizmente temos muitos jovens que ainda sonham com um mundo melhor e tentam fazer a diferença de alguma forma, movidas pela utopia.
Hoje vamos indicar filmes que possam de alguma forma criar uma narrativa de identidade latino-americana, entre nossos jovens de diferentes países, refletindo sobre a juventude latina.
Começamos com o excelente longa-metragem peruano, “Las Malas Intenciones”, de Rosario García Montero Pinilla, 2011. Uma menina de família rica, de pais separados e ausentes, encontra carinho nos seus heróis imaginários e nos funcionários da casa. Vivendo em questionamentos e conflitos. O longa tem como contexto "o conflito armado" no início da década de 1980 no Peru. Conta com bons momentos de humor, principalmente nos questionamentos e conclusões da pequena Cayetana. O cinema peruano vem se destacando nessa última década com excelentes e diversificadas obras. Está disponível no Retina Latina
Outra dica vem da Argentina, o clássico "Pizza, Birra, Faso", de Bruno Stagnaro e Israel Adrián Caetano, 1998. Um marco do cinema argentino, que segundo a crítica é o ponto de partida da renovação do cinema do país e que viria ser o "Novo Cinema Argentino". Um filme de baixo orçamento, sem atores famosos, que retrata jovens das ruas de Buenos Aires da década de 1990, sem perspectivas, marginalizados, vivendo de pequenos delitos para comprar apenas, pizzas, cigarros e bebidas. No YouTube
Do Uruguai o longa-metragem, “25 Watts”, de Juan Pablo Rebella, Pablo Stoll, 2001. Filmado em P&B, narra 24 horas da vida de três jovens amigos nas ruas de Montevidéu. Traz uma narrativa inventiva com um espírito de "nouvelle vague". Outro ponto forte do filme é a fotografia de Bárbara Álvarez. Magnífica. A obra inaugurou uma nova fase do cinema uruguaio. Primeiro longa da dupla de realizadores uruguaia, que em 2004 repetiram a parceria em "Whisky". No YouTube
"Ratas, Ratones y Rateros", de Sebastián Cordero, 1999. Foi um dos filmes com maior bilheteria nos cinemas do Equador. Mudou a visão do público com seu próprio cinema. As cenas iniciais são de tirar o fôlego. Representa uma juventude equatoriana sem muitas perspectivas. São portas que se fecham e as portas da violência que se abre. Disponível no YouTube
Temos muitos e excelentes filmes que tratam sobre a juventude na América Latina. Essa juventude alienada que tanto nos preocupa. Indicamos apenas alguns filmes que se destacaram no cinema.
Por Angelo Corti, idealizador da página Cine Livre Latino-Americano
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Rapidinhas da semana:
Apesar da ausência em uma das mais importantes reuniões do setor audiovisual sobre a regulamentação do streaming (leia mais na abertura desta edição), Márcio Tavares mandou recado em forma de artigo para dizer que defende os 6% de Condecine, um ponto que recebe 100% de apoio de entidades e da própria Jandira Feghali, apesar do secretário ainda não ter explicado de forma contundente se continua trabalhando para a terra do Walt Disney World enquanto performa apoio sem presença física.
De ficar de cabelo em pé: Não basta arquitetar jantares fora da agenda política do Ministério da Cultura, o MPA (Motion Picture Association, uma espécie de sindicato patronal dos conglomerados) acha que deve opinar alguma coisa na política cultural de outros países e trouxe sua própria defesa sobre a regulamentação do streaming, o grupo diz que carga tributária e pirataria são os verdadeiros problemas do audiovisual brasileiro.
Sem vontade de pagar uns pães a mais de padaria para o Brasil, o grupo do mal se agarra no galho do argumento falido sobre a regulamentação acabar com o poder de escolha dos telespectadores. O curioso é que nunca vimos um europeu dizer que não consegue ver a nova mesma série de TV dos Estados Unidos só porque agora precisam colocar espaço para títulos do continente.
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Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de Los Baños (EICTV), em Cuba, abre inscrições para bolsa de estudos
As inscrições para a XII Maestría em Escrita de Roteiro Audiovisual estão abertas até 20 de setembro. Promovida pela Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de Los Baños (EICTV), em Cuba.
Na sétima edição, em parceria com o Projeto Paradiso, a novidade deste ano fica por conta que a Bolsa Paradiso será exclusiva para profissionais nascidos na região Norte do Brasil. A bolsa cobrirá valor da passagem, matrícula e inscrição do candidato selecionado.
O programa ocorrerá entre janeiro e outubro de 2026, dividido entre os primeiros seis meses de presencial em Cuba, com os três meses finais no formato online. Para mais informações acesse o site do Projeto Paradiso.
Aos nortistas que acompanham a newsletter e aos que conhecem profissionais nortistas do setor, por favor compartilhem a informação.
INCAA lança programa para auxiliar na distribuição de filmes argentinos no exterior
O Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA, em espanhol) criou o Programa de Difusão Internacional para filmes nacionais finalizados, que apoiará financeiramente filmes argentinos selecionados para festivais internacionais de cinema credenciados pela Fédération Internationale des Associations de Producteurs de Films (FIAPF, em francês).
Publicado na última quarta-feira no Diário Oficial do país, o programa estabelece que cada filme poderá receber até duas bolsas que serão calculadas com o valor médio da inscrição no festival. As bolsas serão concedidas por meio de reembolso mediante apresentação dos documentos necessários.
O governo argentino diz que esse programa pretende consolidar o cinema do país no mercado global, além de promover a identidade cultural do país, assim como ajudar os criadores a difundir e comercializar seus filmes no exterior.
Vindo da administração Milei, a responsável pelo fim dos editais de fomento, que já avisou da sua intenção em privatizar a plataforma pública de streaming com filmes argentinos, a Cine.ar, que está em franca guerra contra o setor audiovisual argentino, além de todo o trabalho para entregá-lo à iniciativa privada estrangeira, só podemos supor que essa gente tenha uma forma no mínimo engraçada de promover e difundir o cinema de seu país. (No Ámbito)




