Simplificando Cinema #81
Ancine divulga novas normativas para Cota de Tela em 2025 | Número de salas exibindo "Ainda Estou Aqui" mais do que dobra após Globo de Ouro | Ibermedia lança novo fundo de distribuição
Após um 2024 com poucos motivos para comemorações, o audiovisual brasileiro começou 2025 com uma vitória. Na sexta-feira, 3 de janeiro, o governo federal publicou no Diário Oficial da União a Instrução Normativa n° 172/2025 que regulamenta o decreto n° 12.323/2024, responsável pela cota de tela do Brasil em 2025. A norma estimula sessões de filmes brasileiros em horários nobres de mais procura, como os após às 17h, além do incentivo a obras nacionais premiadas em festivais de cinema.
Existem dois tipos de cota de tela estipuladas no Art 5°-A e Art 5°-B da Instrução Normativa.
Segundo o artigo 5°-A, sessões de obras cinematográficas, longa-metragem que ocorrem após às 17h, em todos os dias da semana, incluso sábado, domingos e feriados, serão acrescidas de 0,10 para fins de aferição da obrigatoriedade do que está posto na Instrução Normativa.
Já o artigo 5°-B, estipula que obras cinematográficas longa-metragem brasileiras premiadas em festivais [como o filme 'Ainda estou aqui'], serão acrescidas de 0,15 para fins de aferição da obrigatoriedade do que está posto na Instrução Normativa.
Talvez medida veio após estudo da Ancine identificar que os filmes nacionais eram alocados em sessões em horários com pouco público, percebida através do número de obras nacionais e seu resultado com o número de espectadores nas salas de cinema.
Esta medida vem para equilibrar as coisas, obrigando os exibidores a darem destaque a obras nacionais, coisas que eles possuem dificuldade de atender (tais dificuldades não aparecem na hora de pedir verbas da Ancine para manutenção e expansão do parque exibidor). (No Exibidor)
Petrobras começa a patrocinar Espaço Augusta de Cinema e Justiça de São Paulo suspende demolição
Uma decisão favorável da justiça de São Paulo suspendeu em dezembro de 2024 a demolição de duas salas de cinema no Espaço Augusto de Cinema e do Café Fellini, que dariam lugar a um empreendimento imobiliário no lugar.
Com a decisão liminar do justiça da 7° Vara da Fazenda Pública da capital, Evandro Carlos de Oliveira, concede a tutela de urgência após pedido do Ministério Público. A justificativa é que a destruição dessas salas sem o fim do processo poderia ser responsável por um "dano de incerta e difícil reparação, presentes requisitos legais e com o intuito de preservar o patrimônio cultural e imaterial da Cidade de São Paulo". A decisão cabe recurso na justiça.
Agora o espaço recebe patrocínio da Petrobrás, evidenciando mais uma vez a importância do investimento público na manutenção dos espaços de cultura em todo o país. (No G1)
Número de salas de cinema exibindo “Ainda Estou Aqui” mais do que dobra após prêmio de Fernanda Torres no Globo de Ouro
'Ainda estou aqui' continua a ganhar destaque e a crescer no Brasil. O filme bateu números incríveis de bilheteria, e ainda mais pessoas se dirigiam ao cinema para assistir ao filme de Walter Salles que conta com a vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama, Fernanda Torres.
A vitória da Fernanda está diretamente ligada no aumento da audiência, já que antes dela era possível encontrar 'Ainda Estou Aqui' em 187 salas de cinema pelo país. Após a vitória, os números mais que dobraram, chegando a 400 salas de cinema. O número de cinemas exibindo o filme mais que dobrou, saindo de 145 para 350. Apesar do sucesso de crítica, de bilheteria e contando com a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro, esses números ainda são relativamente baixos.
Segundo o Ministério da Cultura, o MinC, o Brasil fechou o ano de 2024 com um recorde no número de salas de cinema pelo país, são 3.509. ‘Ainda Estou Aqui’ se encontra em pouco mais de 10% dessas salas, mesmo com todo o sucesso. A título de comparação, 'Coringa 2: delírio a dois', continuação do sucesso de 2019 que tem o Joaquim Phoenix no papel de Arthur Fleck, abriu sua exibição no Brasil em 1.510 salas. Após uma semana em cartaz houve a queda de 67% do público, mas essa redução não se refletiu no número de salas que permaneceu o mesmo.
'Ainda estou aqui' é um grande lançamento do cinema brasileiro, dirigido pelo Walter Salles e distribuído pela Sony, mas mesmo assim conta com sua exibição em pouco mais de 10% das salas de cinema do país. Enquanto isso, Coringa 2, um filme que teve um fracasso colossal de bilheteria em todo o mundo, chegou aqui com mais de 40% das salas do país.
Isso mostra como o caminho é longo, ainda tem muito chão pela frente, muita luta por políticas públicas de proteção, fomento e distribuição, sendo que essa realidade é ainda mais dura para filmes independentes que precisam enfrentar o poderosíssimo lobby hollywoodiano no Brasil. (No UOL)
Além da Linha do Equador: Divas Latino Americanas - 1ª parte
Na madrugada da última segunda-feira, dia 06 de janeiro, muitos comemoravam o triunfo de uma atriz brasileira, já bastante cultuada no país, agora pela segunda vez reconhecida internacionalmente por seu talento, com o Globo de Ouro, como melhor atriz pelo filme, “Ainda Estou Aqui” de Walter Salles, a nossa querida Fernanda Torres.
Fernanda Torres tem sua carreira consolidada e não precisa provar nada a ninguém e muito menos para os gringos. Todo o brasileiro tem a atriz marcada em sua memória, seja pela série “Os Normais”, ou “Tapas e Beijos”, mas seu reconhecimento internacional veio cedo, aos 20 anos com o longa-metragem, “Eu Sei que Vou de Amar”, de Arnaldo Jabor, de 1986, ao ser consagrada como melhor atriz no Festival de Cannes no mesmo ano. Para quem quiser conferir a atuação de Fernanda, o filme está disponível no YouTube no canal “TubeFlix” em ótima qualidade.
Fernanda é uma atriz que se destacou tanto no cinema quanto na TV, seguindo naturalmente seus próprios passos, mas muito semelhantes da trajetória da própria mãe, a nossa grande Fernanda Montenegro.
Em um dos comentários após o reconhecimento da filha com o Globo de Ouro, Fernanda Montenegro destacou que volta e meia uma atriz latino-americana ultrapassa a linha do Equador, ou seja, é reconhecida nos grandes festivais, sejam nos EUA ou na Europa. Essa visibilidade para a América Latina é de extrema importância.
Hoje vamos indicar filmes no qual atrizes tiveram destaque em suas atuações e atravessaram a linha do Equador. Por ser extensa a lista, vamos dividir em duas partes, não necessariamente em ordem temporal. Começamos pelo filme “Sinhá Moça” de 1953, dirigido pelo cineasta argentino, Tom Payne. O filme foi rodado no Estado de São Paulo e teve como destaque a atuação da inspiradora Ruth de Souza, sendo selecionada como melhor atriz no Festival de Veneza de 1954. No YouTube no canal “Kino Gaymer”
Outra dica fundamental é “Orfeu Negro”, de Marcel Camus, 1959, filme que teve como base a peça teatral “Orfeu da Conceição”, de Vinícius de Moraes e venceu o Festival de Cannes em 1959 e melhor filme estrangeiro no Oscar de 1960, entre as indicadas como melhor atriz no Festival de Cannes de 1959, tivemos a nossa eterna Léa Garcia, que teve uma impressionante atuação. Um excelente filme que mistura mitologia grega e Carnaval. Apesar do reconhecimento, o longa defendeu as cores da França nos festivais, mas sem dúvidas é muito mais brasileiro, que francês. O filme pode ser apreciado gratuitamente no YouTube no canal do #culturalivre
Da Argentina temos o destaque de Norma Aleandro que protagonizou uma história trágica da ditadura militar Argentina, dos filhos de pessoas assassinadas e desaparecidas pela ditadura que acabavam sendo adotadas por casais simpatizantes do governo militar na época, tudo isso é representado no filme “História Oficial”, de Luis Puenzo, de 1986. O filme levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (hoje rebatizado como Melhor Filme Internacional) em 1986. Norma Aleandro foi premiada como melhor atriz no Festival de Cannes em 1985 pela atuação no filme. Também foi indicada ao Oscar de Melhor atriz coadjuvante em 1988 pelo filme “Gaby- Uma História Verdadeira, do mexicano Luis Mandoki, de 1987. “História Oficial” está disponível no Sesc Digital.
No Brasil, nossas atrizes também diversas vezes foram reconhecidas por grandes festivais. A grande Marcélia Cartacho, com o filme “A Hora da Estrela”, dirigido pela cineasta Suzana Amaral, baseado na obra literária de Clarice Lispector. A obra revelou Marcélia para o cinema e levou logo em sua estreia, o Urso de Prata no Festival de Berlim em 1986 de melhor atriz do Festival. O filme está disponível no Sesc Digital.
"Vera", de Sérgio Toledo, 1986 é um filme injustamente pouco comentado. Um dos grandes filmes da nossa cinematografia, reconhecido internacionalmente e pioneiro no tema transexualidade no país. O filme conta a história de Bauer, através de flashbacks, alternando seu passado de violência no internato e seu presente de oportunidade de trabalho, vida nova, de paixões e conflitos, tendo sempre o apoio de seu tutor. Um filme de beleza lírica. Bauer é vivido pela atriz Ana Beatriz Nogueira, que conquistou o Urso de Prata 1987 no festival de Berlim como melhor atriz, um ano depois de Marcélia Cartacho conquistar o mesmo prêmio. O filme foi inspirado no livro "A queda para o alto", autobiografia de Sandra Mara Herzer (Herzer) que cometeu suicídio aos 20 anos, seu tutor na vida real e que motivou a escrita do livro foi o político Eduardo Suplicy.
Tecnicamente o filme conta com a direção de fotografia de Rodolfo Sánchez e na trilha sonora Arrigo Barnabé. O filme está disponível no YouTube no canal do Cine Continental
A segunda parte fica para próxima semana com mais dicas de filmes no qual, nossas atrizes tiveram destaques em grandes festivais, fazendo história. Nos acompanhem.
Por Angelo Corti, idealizador da página Cine Livre Latino-Americano
Ibermedia lança novo programa focado em distribuição de obras latino-americanas
Tendo identificado a distribuição como o grande gargalo no audiovisual ibero-americano, o Programa Ibermedia lançou um fundo para ajudar a região com essa questão. O anúncio ocorreu após o último festival de Ventana Sur na cidade de Montevidéu.
A nova chamada do programa estará aberta entre os dias 17 de janeiro e 24 de março de 2025, tendo uma nova linha totalmente exclusiva voltada para a distribuição e circulação dos filmes nos países da região, com foco nas distribuidoras de filmes independentes dos países membros da Ibermedia.
Está alocado nos requisitos a apresentação de plano de distribuição/circulação de filmes que foram lançados há menos de um ano, incluindo no mínimo 2 cidades onde eles foram exibidos e 12 sessões por filme em cada uma das cidades. (No LatamCinema)
Colômbia tem queda de público nas salas de cinema em 2024
Após conquistar o posto de terceiro maior mercado da região latina no que diz respeito às salas de exibição, a Colômbia vem tendo resultados pouco animadores para os espaços.
Um relatório divulgado pelo Proimágenes, principal fundo de fomento do cinema colombiano, informa que o país teve uma queda significativa de 8% de público nas salas de cinema durante 2024: foram 43 milhões de espectadores contra 73 milhões conquistados em 2023.
Segundo a diretora do Proimágenes, Claudia Triana, o efeito gangorra ainda é uma consequência direta da pandemia de Covid-19, que deixou o mercado exibidor da região bastante fragilizado, especialmente com a forte entrada dos serviços de streaming.
A redução de público também repercute na arrecadação de incentivos para o setor, já que o mercado exibidor no país contribui diretamente com a indústria. Serão 6 milhões de pesos colombianos a menos para o Fundo de Desenvolvimento Cinematográfico.
Entre as medidas para tentar reconquistar o público, entretanto, está a aposta em ingressos mais baratos e dias fixos de promoção entres as principais redes de cinema. (No LaFM)
Costa Rica fortalece acordo com mercado asiático e já possui dois títulos para lançamento internacional
Conforme anunciamos em edições mais antigas, a Film Commission da Costa Rica estava buscando fortalecer laços com o crescente e estabelecido mercado asiático de cinema. E não demorou muito tempo até vermos na prática este acordo ser consolidado.
Em meados de dezembro e na primeira semana de janeiro de 2025, a Costa Rica surge no outro lado do mundo com dois filmes importantes: o primeiro é o longa “Una Navidad sin Nieve”, que teve amplo lançamento pela porção do Oriente Médio formada por Emirados Árabes Unidos, Omã, Paquistão e Arábia Saudita.
Já o título “Memorias de un cuerpo que arde” vai tentar conquistar audiências na Coreia do Sul. Além da carreira internacional, o filme dirigido por Antonella Sudasassi está indicado na categoria “Melhor Filme Ibero-Americano” no prestigiado Prêmios Goya 2025, o Oscar da nossa região. (No El Financiero)
Governo de Sheinbaum anuncia aumento no orçamento dos editais do IMCINE
O Instituto Mexicano de Cinema (IMCINE) divulgou nos últimos dias um aumento significativo nas verbas dos seus principais fundos de fomento para o audiovisual.
Inicialmente, o novo investimento terá impacto direto no Programa de Fomento ao Cinema Mexicano (FOCINE) e estímulo fiscal. Serão 100 milhões de pesos mexicanos a mais para o primeiro e um aumento de 15 milhões de pesos mexicanos para o segundo.
No FOCINE, a nova verba visa atingir todas as 12 modalidades, incluindo um desenvolvimento maior do setor de animação e o estímulo de produções em diferentes regiões do país, uma sútil mudança que lembra bem vagamente os editais regionais feitos pela Alemanha, melhorando o progresso industrial de todos os lados.
O novo investimento também quer dar uma maior atenção para o mercado exibidor e programas de preservação dos acervos cinematográficos do país.
Já na questão dos estímulos fiscais o foco será na distribuição e produção de longas, melhorando a entrada dos filmes mexicanos em grandes redes de salas de cinema pelo país. (No site oficial do IMCINE)
Film Commission de Morelia quer investir em programa de formação de profissionais
Uma film commission que iniciou suas atividades recentemente, mais precisamente em fevereiro de 2024, é a da cidade de Morelia, no estado mexicano de Michoacán, como parte do órgão da Secretaria Municipal de Cultura de Morélia.
Superados os entraves burocráticos, políticos e de segurança por conta da fama que o local possui, a cidade com sua film commission pode oferecer um local paradisíaco para gravações que custa 30% a menos que gravar na Cidade do México, capital do país.
A film commission do local possui uma característica: ela não oferece abatimento em dinheiro ou restituição de impostos, mas sim com promoções e descontos em serviços como hotel, restaurante e outros prestadores.
A educação é parte do que Morelia tem a oferecer, já que ela aposta na formação de profissionais que possam trabalhar nas gravações, como engenheiros de som, cinegrafistas e diretores de fotografia.
Destaca-se nessa film commission como outros setores da economia da cidade possuem participação ativa em sua composição, além da educação através da formação de profissionais. Isso é um lembrete aos que insistem em pensar no audiovisual como um fardo, algo que ocorre no limbo, totalmente desconectado da economia, do desenvolvimento social da sociedade. (No LatamCinema)







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