Simplificando Cinema #83
Associação de distribuidores divulga carta aberta sobre falta de incentivos | Ancine anuncia implementação de Cadastro Único de Projetos | Netflix aumenta de preço na Argentina mesmo sem impostos
Com o sucesso internacional de “Ainda Estou Aqui” – que foi indicado para 3 Prêmios Oscar, incluindo “Melhor Filme”, feito inédito para a cinematografia brasileira – e diferentes debates sendo levantados sobre como se produzir mais filmes com a mesma capacidade, diferentes setores da atividade não ficaram calados e vieram a público fazer um apelo pelas condições pífias das políticas atuais, é o caso da ANDAI (Associação Nacional de Distribuidoras Audiovisuais Independentes).
Em carta aberta divulgada nesta semana, membros da Associação chamam atenção para o triste cenário dos incentivos à distribuição e comercialização de filmes brasileiros, essenciais para começar a pensar em uma carreira internacionalizada como o longa de Walter Salles.
A ANDAI expressa que a falta de editais de comercialização, via Ancine, desde 2018, vem colocando em risco as estratégias de divulgação de filmes brasileiros, a maioria independentes, o que afeta diretamente a diversidade de obras e preservação cultural do país.
Sem previsões claras de que estes recursos chegarão até as empresas, a associação alerta para um 2025 bastante incerto, ainda que muitos comemoram a aplicação da Cota de Tela (que está longe de ser milagrosa e depende de toda uma cadeia trabalhando em conjunto).
Segundo os distribuidores que assinam a carta em conjunto, os pontos mais urgentes para o efetivo apoio ao setor são:
1. Retomar a regularidade dos editais de comercialização, garantindo linhas de apoio previsíveis e contínuas para distribuição de filmes nacionais.
2. Dobrar o valor de investimento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) destinado à comercialização e difusão.
3. Estabelecer políticas públicas que contemplem a diversidade de tamanhos e perfis de lançamento, assegurando investimento mínimo de R$ 250 mil por projeto.
4. Fortalecer a formação de público, promovendo o acesso aos filmes brasileiros tanto nas salas de cinema quanto em outras plataformas.
Leia abaixo a carta aberta na íntegra:
São Paulo, 24 de janeiro de 2025.
Carta Aberta da ANDAI – Apelo à Imprensa
Ainda Estamos aqui: enquanto o mercado e o Brasil celebram o sucesso do filme de Walter Salles, centenas de filmes estão sem recursos para distribuição
A Associação Nacional das Distribuidoras Audiovisuais Independentes (ANDAI) vem a público manifestar sua preocupação com a falta de editais de comercialização por parte da ANCINE desde 2018. Este cenário coloca em risco o lançamento comercial de filmes nacionais, em especial das produções independentes, que representam a diversidade e a riqueza cultural de nosso país.
A previsão de produção de mais de 300 longas-metragens através dos recursos da Lei Paulo Gustavo é um marco para o setor. Contudo, a ausência de previsão de recursos destinados às campanhas de marketing coloca em xeque o alcance dessas obras junto ao grande público. Sem estratégias de distribuição e investimentos adequados, esses filmes correm o risco de não encontrarem audiência, comprometendo não apenas o retorno financeiro, mas também a formação de um público fiel ao cinema nacional.
Exemplos como o de "Ainda Estou Aqui", que conquistou o grande público e acumulou premiações, incluindo indicações ao Oscar, só são possíveis devido a altos investimentos em marketing e distribuição. Sem um ecossistema que garanta o suporte a essas campanhas, mesmo as produções mais promissoras podem se perder no caminho.
Atualmente, as distribuidoras independentes associadas à ANDAI enfrentam um futuro incerto para os lançamentos comerciais de 2025. A ausência de previsibilidade e recursos coloca em risco não apenas a sustentabilidade dessas empresas, mas também o acesso da população brasileira às obras que refletem sua própria cultura e identidade.
Diante disso, a ANDAI reforça os pontos apresentados na Carta de São Paulo, divulgada durante a 48ª Mostra Internacional de Cinema, e conclama a imprensa e a sociedade a apoiarem a distribuição independente no Brasil. É urgente:
1. Retomar a regularidade dos editais de comercialização, garantindo linhas de apoio previsíveis e contínuas para distribuição de filmes nacionais.
2. Dobrar o valor de investimento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) destinado à comercialização e difusão.
3. Estabelecer políticas públicas que contemplem a diversidade de tamanhos e perfis de lançamento, assegurando investimento mínimo de R$ 250 mil por projeto. 4. Fortalecer a formação de público, promovendo o acesso aos filmes brasileiros tanto nas salas de cinema quanto em outras plataformas.
Sem distribuição, não há acesso. Sem acesso, não há reconhecimento. É fundamental que o mercado audiovisual brasileiro seja tratado com a seriedade e o respeito que merece, garantindo que nossos filmes cheguem às telas e ao coração dos espectadores.
A ANDAI permanece à disposição para o diálogo e para a construção de um mercado audiovisual mais justo e plural. Contamos com a imprensa como parceira nesta jornada de valorização e fortalecimento do cinema brasileiro.
Por um futuro onde o cinema brasileiro brilhe em todas as telas!
Atenciosamente,
ANDAI – Associação Nacional das Distribuidoras Audiovisuais Independentes
Ancine anuncia a implementação do Cadastro Único de Projetos
Na última quarta, 22 de janeiro, a Ancine lançou o Cadastro Único de Projetos, o CUP, uma plataforma para integrar, atualizar e digitalizar os sistemas da agência. Segundo a agência, o objetivo do CUP é tornar mais eficiente, melhorar a qualidade e transparência dos serviços prestados.
Na primeira fase, o CUP dará acesso aos proponentes de projetos audiovisual as suas carteiras de projetos, além de que a plataforma também agrupará todos os projetos relacionados a uma mesma obra audiovisual em um mesmo cadastro único, que possuirá um código exclusivo, assim facilitando o gerenciamento das informações dos projetos.
A plataforma se torna o módulo para cadastro, apresentação e gestão de projetos de fomento da agência. Agora, a apresentação de projetos audiovisuais será feita no CUP, que está integrado ao módulo de fomento SANFOM, um recurso eletrônico que já permite a apresentação de projetos à Ancine, que está acessível via Sistema Ancine Digital (SAD) e pelo Portal de serviços da Ancine.
Captação, aprovação, execução, redimensionamento e remanejamento de projetos também passam a ser feitos via formulário digital no CUP e o acompanhamento pode ser feito no Portal de Serviços.
A Ancine informou que a plataforma receberá mais serviços ao longo do ano. O CUP é acessado pelo "Painel de Aplicativos" dentro do menu "Sistema", no canto superior da página que dá acesso ao SAD, fazendo login com as mesmas credenciais. Quando uma solicitação é feita via CUP, automaticamente o Portal de Serviços é ativado. (No TelaViva)
Protagonismo Trans no Cinema Nacional
Desde 2004, o dia 29 de janeiro é o dia da Visibilidade Trans e essa data é um marco de luta, de organização política e reconhecimento por direitos básicos e humanos. A comunidade trans do país continua sendo atingida pela violência e pela falta de oportunidades, mas vem crescendo e ganhando espaço por suas próprias forças.
Já temos pessoas trans na política, nas artes, nas universidades, ou seja, a diversidade vem vencendo obstáculos, mas ainda é difícil desenhar para os conservadores que a luta contra a comunidade LGBTQIAPN+, é uma luta perdida, há inclusive teorias de que o futuro é “não-binário”.
No cinema temos o registro da luta de mulheres trans ainda na ditadura militar, onde não havia nem esquerda e nem direita que as representasse e a solução era se unir, criar uma comunidade, uma verdadeira família no qual poderiam cuidar uma das outras.
No documentário “Douleur D’amour”, de Pierre-Alain Méier e Matthias Klain, uma produção Suíça/Brasil de 1987, que representa personalidades trans e suas lutas dentro da realidade brasileira pós-ditadura militar, temos o trabalho de Brenda Lee com sua casa de apoio “Palácio das Princesas”, que foi um porto seguro e de autoestima para as mulheres trans na capital paulista.
Também temos o depoimento da inspiradora Claudia Wonder, Telma Lipp, Andreia de Maio e outras importantes personalidades que militaram contra um país transfóbico e conservador. Um importante registro que marca uma época, uma realidade e um momento crucial de luta e resistência. O filme está disponível no YouTube no Canal “Eleg”
O mês de janeiro é o mês da Visibilidade trans e através do cinema conseguimos trazer um pouco da trajetória de resistência e organização política como sobrevivência. Desde 2004 e impulsionado pelas manifestações reivindicando por mais oportunidades e representatividade dos movimentos negros e LGBTQIAPN+ nos últimos 10 anos, é notável que o cinema abriu as portas para atrizes e atores trans interpretarem não somente suas histórias, mas mostrar sua arte, uma alternativa de trabalho e de profissão.
No entanto, atrizes trans que estão realmente protagonizando as suas histórias ainda é muito recente. Dois filmes que podem ser um marco nessa questão é “Alice Júnior”, de Gil Baroni, 2019, que brilhou o talento de Anne Celestino.
A pernambucana que fez história sendo premiada em festivais, representando uma nova geração de mulheres trans empoderadas e politizadas. Agora em 2025 aguardamos a estreia nos cinemas de “Alice Júnior 2: Férias de Verão”, também dirigido pelo paranaense Gil Baroni. Não encontramos “Alice Júnior” no streaming.
Outro filme que se destaca é “Valentina”, do saudoso Cássio Pereira dos Santos, 2020. Outra estreia de impacto no cinema da atriz Thiessa Woinbackk, protagonista do filme, ao lado da atriz Guta Stresser. O filme também pode ser considerado um marco no protagonismo trans, apesar de ser ainda muito pouco e de fato não atingir a comunidade de maior vulnerabilidade social, foi uma mudança de postura dos realizadores do audiovisual brasileiro. Valentina está disponível na Netflix.
A série da Prime Vídeo, “Manhãs de Setembro”, de Luis Pinheiro e Dainara Toffoli, 2021, estrelada pela Liniker, hoje uma das maiores cantoras do país, é constantemente lembrada pela sua importância.
Sua atuação na série é a cereja do bolo, apesar da história ser ótima e contar com um elenco maravilhoso. A série conta a história de Cassandra (Liniker) que celebra sua independência, seu namoro, suas amizades, mas um fato faz com que sua vida tenha uma guinada de 360 graus, Cassandra fica sabendo que tem um filho e tudo muda.
São essas transformações que tornam a história instigante e poderosa. A série parou na segunda temporada e tudo indica que vem aí um longa-metragem ao invés de uma terceira temporada.
Acreditamos que muitas realizações com destaque a atrizes, atores e realizadores (as) trans cresça cada vez mais, com o incentivo de editais afirmativos que no governo Lula voltaram a ter destaque.
Outras obras também merecem destaque é a obra “Mães do Derick”, um documentário de 2020 realizado por Cássio Kelm, um cineasta trans masculino que traz uma história amorosa e, porque não singela, sobre como criar um filho de forma coletiva. Ou seja, Derick tem quatro mães e o documentário gira em torno do dia a dia dessa família. Infelizmente não encontramos o filme no streaming.
Na TV Brasil Play, plataforma de streaming da EBC – Empresa Brasil de Comunicação, junto ao catálogo de excelentes filmes gratuitos disponíveis, temos o curta-metragem catarinense “Selma Depois da Chuva”, de Loli Menezes, 2019, que também é um filme que marca a representatividade trans no cinema. Apesar do curta-metragem não ter o alcance de um longa, é um filme importante e conta a história de Selma, que retorna ao seu passado, mas que ainda conta com a resistência de sua própria mãe em aceitá-la como filha. Um filme emocionante ao som de “Manhãs de Setembro” da cantora Vanusa.
Celebrando o mês da Visibilidade Trans o Canal Brasil para quem tem acesso preparou uma programação especial com filmes que mostram uma gama de talentos trans direto do cinema. Um dos grandes exemplos é o excelente “Tudo o que Você Podia Ser”, de Ricardo Alves Jr., 2023, um filme marcante, com atuações maravilhosas, sobre um grupo de amigues que estão se despedindo e em breve cada um seguirá seu rumo, e o filme trata dessa comunidade acolhedora, que fortalece em um país que ainda cheira à ditadura militar.
Nessa semana tivemos a notícia dos escolhidos ao Oscar e com certeza além de festejamos a nomeação da nossa Fernanda Torres, o que já entrou para a história foi a nomeação da atriz espanhola Karla Sofía Gascón, primeira atriz trans indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo protagonismo no longa “Emília Pérez” que representa a França no Oscar.
O filme também bateu o recorde de filme estrangeiro com mais indicações ao Oscar: estará concorrendo em 13 categorias. Independente do filme, a indicação de Karla Sofía Gascón é uma vitória e uma reparação a outras atrizes trans que protagonizaram filmes que estiveram em grandes festivais e premiações e não foram reconhecidas, como a chilena Daniela Vega no filme ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional, “Una Mujer Fantastica” de Sebastián Lelio em 2018.
Essas foram as dicas de filmes para conhecer um pouco mais do talento e da arte de nossos artistas trans que reforçam a luta e o ativismo por mais representatividade trans no audiovisual.
Por Angelo Corti, idealizador da página Cine Livre Latino-Americano
Warner Bros passa a oferecer sinal premium da TNT Sports fora do pacote de TV a cabo na Argentina
A Warner Bros Discovery anunciou que a partir do início de janeiro de 2025 será possível contratar os serviços do seu canal de TV a cabo, o TNT Sports, sem a necessidade de ter um plano de TV por assinatura. Por enquanto esse pacote só está disponível na operadora Telecentro.
Esse pacote oferece metade dos jogos do campeonato argentino de futebol da primeira divisão custando três quartos do preço [10.275 pesos argentinos] do "Football Pack" na TV a cabo, que conta com TNT Sports e ESPN Premium (Disney) [custa 13.446 pesos argentinos].
Apesar do pagamento ser feito a Telecentro, o acompanhamento será feito via Max, que alinha a novidade do futebol ao vivo na plataforma da Warner Bros Discovery no país (o que já acontece no Brasil).
Pagar 3/4 do preço do pacote de futebol da TV a cabo para obter apenas metade dos jogos do campeonato argentino da primeira divisão não parece ser um bom negócio. Por aqui, as transmissões de futebol via streaming geram movimentações claras por parte da Disney em forçar a assinatura Premium do Disney+, que custa mais de R$ 60, e só assim obter acesso a todos os eventos ao vivo esportivos da ESPN.
No passado, antes do encerramento do Star+ pela Disney, era possível pagar por volta de R$ 33 e ter acesso a todos os eventos ao vivo da ESPN (além do conteúdo audiovisual como filmes, séries e documentários). Agora o preço quase que dobrou.
Os clientes da TV a cabo no Brasil também são prejudicados por tal medida, já que a Disney tira jogos importantes dos canais de TV a cabo e do plano básico e do Plano com anúncios do Disney+. (No TaviLatam)
Mesmo com imposto revogado por Milei, preços das assinaturas da Netflix voltam a crescer
Quem acompanha a regulamentação do streaming na América Latina foi pego de surpresa nos últimos dias, quando a Netflix anunciou mais um aumento no preço das assinaturas da plataforma na Argentina, que ficarão 39% mais caras a partir de fevereiro.
O plano básico que custava 4.299 pesos passará a custar 5.999 pesos (mais impostos). O plano standard passará de 7.199 pesos para 9.999 pesos (mais impostos). O plano Premium passará de 9.699 pesos para 13.499 pesos (mais impostos).
Mesmo após o fim do imposto PAÍS responsável pela cobrança de 30% em compras feitas em dólar no exterior ao final de 2024, a Netflix aumentará o valor da assinatura no país.
Ainda que as plataformas de streaming como Netflix, Spotify e Prime Video fizessem a conversão e os consumidores pagassem em peso, esse imposto era cobrado.
A empresa também anunciou que o plano com publicidade também chegará ao nosso vizinho logo mais. (No InfoBae)
Netflix ultrapassa US$ 10 bilhões em lucro operacional
Sem a mínima intenção de deixar que acabem as contradições inerentes ao modo de produção capitalista, a mesma Netflix que usa do seu poder financeiro para mobilizar o seu lobby contra a regulamentação do streaming no Brasil, que busca fazer com que a empresa deixe uma parte do que produz no país que tanto lucra, a empresa estadunidense divulgou na última terça, dia 21 de janeiro de 2025, os resultados financeiros do seu 2024.
Com um aumento de 16% em relação a 2023, o lucro operacional da empresa ultrapassou os dez bilhões de dólares pela primeira vez em sua história. A empresa obteve um aumento de receita de 16% do último trimestre de 2024 em relação ao ano anterior, resultado que foi possível graças ao número de 19 milhões de novas assinaturas pagas; neste mesmo período o lucro subiu 52%.
A Netflix atribuiu tem resultado a produções como a segunda temporada de Round 6, a mesma série que o criador não conseguiu lucrar com a primeira temporada, além de ter perdido nove dentes durante as gravações da primeira temporada. A Netflix também aponta que os eventos esportivos online, como as partidas de NFL no Natal, e a luta entre Mike Tyson e Jake Paul.
A empresa também compartilhou que encerrou 2024 com 302 milhões de assinaturas, um aumento de 16% em relação ao ano anterior, com 41 milhões de novos assinantes ao longo do último ano.
A Netflix também comentou que os planos com publicidade se tornaram um sucesso na empresa. Em uma análise totalmente revolucionária, a companhia afirmou que o plano com publicidade possui um potencial de aumentar seus os lucros e a sua receita, e que a continuarão a investir nesse segmento de negócio inédito para o setor que trabalha com obras audiovisuais. (No TelaViva)










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