Simplificando Cinema #84
Brasil fica fora do Top 10 de Originais do Prime Video em 2024 | Globo fecha parceria com estúdio francês | Governador de Jalisco quer transformar o estado em principal hub de produções do México
Chocando somente quem ainda confia que as plataformas de streaming operam milagres no audiovisual brasileiro, o ranking de originais internacionais mais vistos na Prime Video em 2024 não conta com nenhum título do nosso país, ao mesmo tempo que 5 dos 10 listados pertencem aos dois países com a regulamentação do streaming mais antigas da União Europeia: Espanha e Alemanha.
Entre os dois europeus citados, três títulos pertencem à Espanha, que desde 2017 (ou seja, ainda antes da decisão final do parlamento europeu sobre a regulação) já costura um caminho que mescla incentivos públicos com as principais plataformas norte-americanas disponíveis no país.
Em questão de conteúdo latino-americano, apenas a série criada a partir da novela colombiana “Betty, a Feia” é citada em nono lugar, o que nos faz perceber que não somente a teledramaturgia bem feita é o principal produto exportador da região latina, como suas sequências atraem o público que antes era da novela, ainda que a Colômbia seja um dos muitos países latinos que já cobram IVA (portanto, ainda sem impacto efetivo na indústria audiovisual) das plataformas, um tributo aprovado sem o choro comum que os conglomerados costumam barganhar por aqui.
Segundo o presidente de Originais do Prime Video, James Farrell, o resultado conversa diretamente com os hábitos de consumo das gerações mais jovens, que cada vez mais se interessam por produções de outros países, esquecendo de citar que este movimento é impulsionado pelas exigências de cota de tela no catálogo.
Somente para os países-membros da União Europeia, a regulamentação garante 30% de espaço prioritário nos catálogos e uma ferramenta de busca mais simplificada para que se encontre os títulos com maior rapidez.
Já as regulamentações individuais da Espanha e Alemanha, além de manter a cota de tela de 30%, também exigem divulgação e lançamento mundial dos Originais produzidos nacionalmente, o que facilita ainda mais os títulos serem encontrados por outras audiências, especialmente no Brasil, já que é um dos países que mais acessam o formato. (No TelaViva)
Globoplay é o streaming que mais investiu em publicidade na TV linear em 2024
O Globoplay apareceu na primeira posição do serviço de streaming que mais investiu em publicidade na TV linear no ano de 2024, segundo o estudo feito pela Tunad. O valor investido pela Globo foi mais de R$ 1 bilhão, com uma média mensal de R$ 100 milhões. Quem ficou em segundo foi o Disney+ com R$ 322 milhões de real investido ao longo de todo 2024, uma média mensal de pouco mais de R$ 26 milhões.
Globoplay investiu na publicidade desde o primeiro trimestre do ano passado, enquanto o Disney+ focou em meses como março (R$ 26 milhões) e dezembro (R$ 31 milhões).
Já o Max investiu R$ 274 milhões com maiores investimentos em maio e dezembro. Os destaques desse estudo da Tunad ficam com a Netflix e Prime Video que investiram, respectivamente, R$ 28 milhões e R$ 29 milhões em publicidade na TV linear em todo ano de 2024. (No TelaViva)
Globo e Estúdio Gaumont anunciam parceria de coprodução
Em anúncio feito na conferência Content Americas, em Miami, Estados Unidos, o estúdio francês Gaumont com a Globo anunciaram um acordo de coprodução entre as duas empresas, o que reforça o longo histórico de coprodução entre França e Brasil.
O primeiro projeto dessa parceria tem como tema o universo da alta costura. Será feito pela Conspiração, uma produtora independente brasileira, em parceria com a Ventre Studios, responsável pelo desenvolvimento.
Segundo Manuel Belmar, diretor financeiro dos produtos digitais do Grupo Globo, a parceria é uma oportunidade de levar conteúdo premium brasileiro para outras audiências além da brasileira.
Já o francês Nicolas Atlan, presidente do Gaumont, encara esta parceria como a solidificação do legado e qualidade que as duas indústrias demonstram ter. (No TaviLatam)
O Cinema Latino-Americano no Oscar
Tanto nas redes sociais quanto nos jornais, o cinema nacional voltou a ser destaque e inegavelmente esse destaque está vinculado ao Oscar. Por um lado, talvez não seja tão positivo, pois o cinema nacional ou de qualquer outro país latino-americano não pode ficar dependendo de Oscar para levar seus compatriotas aos cinemas. Infelizmente ainda estamos a mercê do chancelamento e equiparações ao cinema hollywoodiano. Temos uma identidade e linguagem própria e cada vez mais ressignificadas pela nossa realidade, com uma maior representatividade da comunidade LGBTQIAPN+, pessoas pretas e os povos originários, se apropriando do audiovisual.
O cinema é uma arte que ainda serve para a colonização cultural, da branquitude e de um projeto de modernidade ainda em curso, que visa cada vez mais destruir culturas, perpetuando apenas a cultura capitalista, do consumismo e da lucratividade. O cinema está incluso no projeto neoliberal, e é por isso que a regulamentação do streaming e da cota de tela são de extrema importância para por um freio em todo esse voraz domínio do mercado através das grandes empresas que dominam as salas de cinemas e que decidem o que as pessoas irão consumir.
Por este lado, o cinema latino-americano ainda resiste e os festivais e grandes eventos de premiações ainda são responsáveis em levar as pessoas ao cinema e trazer fomento ou pressionar o próprio governo de seu país, para incentivar a produção e, consequentemente, reconhecer no cinema uma importante área econômica, de autonomia e independência de um país.
Hoje vamos indicar alguns filmes latino-americanos que se destacaram no Oscar e que trouxeram reconhecimento aos seus países, a seus realizadores e técnicos e tem como tema a violência militar e das ditaduras na América Latina.
“Ainda Estou Aqui”, o nosso grande representante a três premiações ao Oscar e ainda em cartaz nos cinemas, é um filme tem como contexto a ditadura militar no Brasil e conta a história de uma família sendo torturada com o desaparecimento de um familiar. Nós faz pensar o quanto horrível foi a ditadura militar e o quando se perpetua em centenas de famílias brasileiras a tortura de ter um familiar ainda desaparecido pela ditadura. O Oscar tem essa veia progressista que cheira à hipocrisia e que tenta aliviar essa veia fascista de política externa estadunidense.
O filme peruano “La Teta Asustada”, de Claudia Llosa que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2010, trazendo a violência militar nos povos originários em tempos de conflito armado no Peru e o quanto isso afetou a vida de uma jovem. Importante também para conhecer um pouco mais do Peru e o quanto temos de semelhanças. Com grande atuação da peruana Magaly Solier. Encontramos apenas no YouTube no canal da Escuela de Cine de Cali
“O Que É Isso, Companheiro?”, de Bruno Barreto esteve no Oscar de 1998 com base no livro homônimo de Fernando Gabeira, é um filme que traz a resistência ao regime militar através das armas e levando ao conhecimento da opinião pública internacional o que realmente estava acontecendo no Brasil. O filme está disponível no Prime Vídeo BR, Globoplay, Looke e Mubi.
O cinema chileno também tem grande contribuição em dar visibilidade ao cinema do nosso continente e indicamos três filmes sobre a ditadura militar chilena, uma das mais violentas da história. O curta-metragem “Historia de Un Oso”, de Gabriel Osorio Vargas, vencedor do Oscar de Melhor Curta-metragem Animação em 2016. Um filme bastante lúdico que usa a história da família de um urso para mostrar as consequências da ditadura militar na sociedade chilena e o trauma que causou na vida de milhares de pessoas. O curta está disponível na Mubi.
Outra obra perturbadora sobre a ditadura militar chilena é o curta-metragem "Bestia" (2021), de Hugo Covarrubias que concorreu na categoria de Melhor Curta-metragem de Animação no Oscar 2022. É uma animação sem diálogos que consegue uma comunicação espantosa, de um tempo monstruoso que foi a ditadura militar no Chile. Conta a história Íngrid Olderöck, agente da DINA que usava cães nas torturas. O filme está disponível no Vimeo
O Chile também teve como representante no Oscar além do vencedor na categoria de Melhor Filme Internacional em 2018, “Una Mujer Fantástica”, de Sebastian Lelio, o Chile concorreu em 2013 com o longa-metragem “No”, de Pablo Larraín. O filme representa como o marketing político, pode mudar o destino de uma nação. O filme tem como contexto histórico o plebiscito no Chile em 1988, que irá decidir se a ditadura de Pinochet continua ou não. A história trata dos bastidores, no qual, um publicitário aceita o desafio de convencer o povo a votar "não" ao governo militar. Com reconhecimento internacional, "No" está entre os melhores filmes latinos já produzidos. Filme disponível na Netflix.
Para fechar as dicas deste sábado temos na plataforma do Prime Vídeo BR o excelente, "Argentina, 1985", de Santiago Mitre, que representou a Argentina no Oscar de 2023 na categoria de Melhor Filme internacional. Fez parte da seleção oficial do 79º Festival de Veneza. O longa é baseado no histórico "Julgamento das Juntas Militares", que condenaram vários militares à prisão. Algo que o Brasil não fez é que está colocando a democracia em risco. A ditadura militar brasileira ainda é um fantasma que nos ronda.
Fizemos um recorte de alguns filmes que representaram a América-Latina no Oscar, trazendo dicas de filmes sobre a ditadura militar. É um assunto muito caro para nós e que infelizmente nos assusta. Principalmente no Brasil, no qual a ditadura militar nos deixou muitas heranças malditas como a mentalidade da morte e da perseguição. O cinema tem essa função de conscientização e precisa urgente fazer parte da educação brasileira.
Por Angelo Corti, idealizador da página Cine Livre Latino-Americano
Vix Premium lança plano pago com anúncios para Peru e Colômbia
Enquanto muitos clientes, principalmente a parcela defensora de corporações, dos mais diferentes serviços de streaming ainda tentam assimilar a ideia de que foram enganados com as promessas do fim das propagandas, cada vez mais serviços lançam planos mais baratos em troca de ter o conteúdo interrompido por publicidade durante a transmissão.
É o caso do Vix Premium, versão paga do serviço de streaming Vix, plataforma de conteúdo em espanhol que pertence à TelevisiaUnion. O plano, que já estava ativo nos Estados Unidos e Porto Rico, agora chega também aos mercados colombiano e peruano. A empresa já trabalhava com publicidade em sua versão gratuita, que está disponível em toda a América Latina e EUA (o plano pago do serviço já contava com publicidade nas transmissões ao vivo e nos canais lineares).
O plano com publicidade dá direito a todo o conteúdo da plataforma e acesso simultâneo em dois dispositivos. Na Colômbia, o valor mensal da assinatura do plano com anúncios custa COP 7.900 (US$ 1,9) e o pacote sem anúncios custa COP 15.900 (US$ 3,8).
Pouco mais de dez anos após a Netflix ter prometido colocar fim nos comerciais, esse modelo de negócios se estabelece como uma opção lucrativa para as plataformas de streaming, inclusive a própria Netflix, que dizia que as publicidades estavam com os dias contados. Para os que acompanham essa newsletter a um certo tempo não há surpresa, porém, deve ser difícil para os que pensaram ser os investidores das plataformas de streaming só porque pagavam uma assinatura e creram que ela financiava todo esse modelo de negócios. (No TaviLatam)
Puerto Vallarta quer se consolidar como principal destino fílmico do México
Para quem acompanha novelas mexicanas, o destino de Puerto Vallarta já não é um desconhecido quando o assunto é audiovisual. Agora, o governo do estado de Jalisco – onde se encontra a cidade –, Pablo Lemus, quer transformar esse destino sólido para produções nacionais e internacionais.
Durante a Feira Internacional de Turismo que ocorreu no final de janeiro, Lemus apresentou o projeto Filma Jalisco, cujo objetivo é atrair filmagens para o estado, mais precisamente para a cidade costeira de Puerto Vallarta.
Durante a apresentação, o governador discutiu os 4 pilares principais da nova empresa pública, que conta com a criação de um fundo local focado para criar incentivos econômicos para as produções, uma linha de desenvolvimento da indústria no estado e ainda uma parceria acadêmica para existir a capacitação profissional dos mais variados técnicos.
Vale ressaltar que o partido que governa Jalisco não faz parte da coalizão do governo de esquerda atualmente no poder federativo, mas serve de exemplo sobre como o investimento cultural dos últimos anos impactou positivamente a oposição para criar novos polos econômicos destinados ao audiovisual. (No Meridiano)
Incentivo ao cinema na República Dominicana já gera mais abertura de cursos superiores no campo
A Lei do Audiovisual da República Dominicana esteve no centro de discussões do país em quase todo 2024 por conta da possibilidade de ter seus incentivos fiscais retirados pela reforma tributária anunciada pelo governo.
Com intensa manifestação do setor, a legislação se manteve intacta, mas os frutos dos incentivos seguem tendo destaque na mídia local, como no registro de novos cursos superiores voltados ao cinema.
Com quase 800 egressos no último ano, a ementa curricular conta com aulas destinadas ao estudo do cinema latino-americano, o que fortalece a indústria local para criar narrativas e realidades que façam sentido ao público nacional. E há emprego para todos os estudantes.
Em 2024, foram mais de mil profissionais registrados na indústria dominicana, dos quais 456 conquistaram vagas de emprego somente em dezembro, quando o país recebeu a produção de 27 projetos em simultâneo, tanto nacionais como internacionais.
Ainda em 2023, a República Dominicana deu conta de registrar a criação de mais de 6,659 empregos diretos. A média salarial é entre US$ 1.100 a US$ 400 por semana trabalhada.
Isso significa que hoje, dia 01 de fevereiro de 2025, um primeiro assistente de direção pode tirar no mês o equivalente a R$25 mil. (No Acento)
Presença de público nos cinemas da Venezuela segue estável em comparação com 2023
A Venezuela registrou a presença de 7,81 milhões de espectadores nas salas de cinema em 2024, uma alta de 0,3% em relação a 2023, quando o país fechou o ano com 7,78 milhões de espectadores.
Apesar de todas as três maiores bilheterias do país pertencerem a filmes hollywoodianos, foi a primeira vez em muitos anos que as salas de cinema tiveram arrecadação acima de US$ 1 milhão. (No InfoBae)







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