Simplificando Cinema #86
Relator do PL do streaming na Câmara quer aprovar lei ainda este ano | Pequenos negócios do audiovisual crescem 12% no Rio de Janeiro | Brasil liderou presença latina no Festival de Berlim
Segundo o deputado federal André Figueiredo (PDT-CE), relator do PL 8.889/2017 na câmara federal, para que o projeto de regulamentação avance neste ano será necessário que todos interessados no assunto se mobilizem, assim como o governo assumindo uma posição mais firme perante este interesse.
No Seminário Políticas de Comunicações, realizado na última terça-feira, 18 de fevereiro, em Brasília pela TELETIME, o deputado falou que a Câmara tem a intenção de votar o projeto este ano, além de que foi combinado com a deputada do PCdoB, Jandira Feghali, autora do PL 2.331/2022, que se originou no Senado. É ela que deve segurar seu projeto, e dos efeitos às causas, o senador Eduardo Gomes voltaria a relatar sobre o tema no senado, conciliando aspectos do projeto 2.331.
Segundo seu relator, por ser um projeto mais antigo em tramitação, do ano de 2017, diferente do 2.331, o 8.889 foi mais debatido, apesar do 2.331 já ter sido aprovado no senado e está num estágio mais avançado de tramitação. Contudo, o projeto não agrada nem o MinC e muito menos produtores importantes do mercado audiovisual local.
O deputado ainda disse que seu projeto ficou parado por conta do dano colateral no debate sobre as fake news. A bancada da oposição entendeu que o projeto dava vantagens a Globo, quando o deputado afirma que todas as emissoras teriam as mesmas vantagens, por isso ele trabalha para fazer o projeto voltar a andar na Câmara Federal.
O deputado ainda comentou sobre a assimetria tanto regulatória como tributária que existe entre as operadoras que distribuem material audiovisual e que não é streaming.
A notícia, embora bem recebida, ainda precisa ser olhada com cautela, já que o PL de Figueiredo tem falhas que desagradam o setor e não dão conta de prover um ambiente regulatório realmente satisfatório para a indústria.
Entre eles está a possibilidade das plataformas deduzirem entre 50% a 70% do valor da Condecine se comprovarem investimentos em novas obras, além do PL ser leniente com que o recurso público possa ser utilizado para novos Originais antes de ser estimulado na produção independente.
Além disso, a alíquota de 6% do tributo Condecine também vem sendo debatida entre as lideranças. Na última audiência pública sobre o tema, ocorrida no último dia 10 de fevereiro, demonstrou que o Conselho Superior de Cinema quer uma taxação mais alta, que fique em torno dos 12%.
Também há o grande elefante branco sobre por qual meio se dará esta regulação. Caso o PL de Figueiredo avance da maneira que está, a regulamentação do streaming se torna um marco regulatório a parte de tudo que já conquistamos na Lei da TV Paga, que tem sua relevância neste debate ainda pouco estimulada pela sua suposta falta de convergência. (No TelaViva)
Antes de você seguir, temos uma novidade para você!
A partir de semana que vem, a newsletter Simplificando Cinema vai abrir oficialmente a coluna “Panorama Quinzenal”. O objetivo é postar artigos maiores sobre diversos temas no mercado audiovisual brasileiro e estrangeiro e as políticas públicas que os rodeiam.
Para esta primeira semana, traremos em exclusiva um artigo opinião sobre o que foi discutido na última audiência pública sobre a regulamentação do streaming no Brasil.
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Pequenos negócios no audiovisual do RJ crescem 12%
Um levantamento feito pelo Sebrae Rio apontou que em 2024 houve um aumento de 12% nas pequenas empresas de audiovisual do estado do Rio de Janeiro. Com 55% concentradas na capital do estado, com Niterói com 6% em segundo e em terceiro São Gonçalo com 5%.
Segundo Sérgio Malta, diretor de desenvolvimento do Sebrae Rio, 96% dos negócios da área do audiovisual no estado do Rio de Janeiro são pequenos negócios. Ainda segundo o diretor, o número, aliado ao aumento do ano passado, evidencia o peso do audiovisual na economia fluminense, impulsionado por um ecossistema dinâmico, que desempenha um papel fundamental na geração de empregos e na produção de conteúdo no estado. É um setor estratégico de desenvolvimento econômico.
Dos pequenos negócios no estado, a capital tem 68%, seguida de Niterói com 5%, São Gonçalo 2%, Duque de Caxias 2% e Nova Iguaçu 2%, esses são os cinco principais municípios neste quesito. Nesta realidade, 52% dos negócios têm como responsáveis os microempreendedores individuais, 36% são microempresas, empresas de pequeno porte aparecem com 8% e as médias e grandes representam 4% do setor no estado.
Esses números coadunam com o que sempre foi dito aqui nesta newsletter: o audiovisual brasileiro não é algo feito apenas por empresas graúdas, cheias de dinheiro, diferente do que foi alardeado nos últimos tempos, seja pelos liberais limpinhos e moderados, ao pessoal da extrema-direita. Os números mostrados nessa notícia fundamentam o que é dito por aqui.
E se são os microempreendedores os principais responsáveis por movimentar o setor de audiovisual do Rio de Janeiro, então que os próximos editais, sejam eles federais ou estaduais, contemplem essas pessoas que vivem no limiar do desemprego e subemprego, que não apenas os graúdos tenham espaço, porque afinal de contas os tempos da Embrafilme já passaram. (No TelaViva)
Ancine cria Grupo de Trabalho para regulação responsiva
No último dia 18 de fevereiro, a Ancine oficializou a criação de um Grupo de Trabalho (GT) visando a implementação da regulação responsiva da agência.
O objetivo é atender à demanda por um modelo mais responsivo de regulação, considerando as particularidades do setor audiovisual e ampliando o diálogo.
Entre os processos passíveis para a regulação responsiva, estão os relatórios para o Sistema de Controle de Bilheteria, Sistema de Acompanhamento da Distribuição em Salas de Exibição e o Sistema de Recepção de Programação de TV.
O GT irá trabalhar por 120 dias e estará encabeçado pela Secretaria de Regulação (SRG) e com participação da Superintendência de Fiscalização (SFI). (No TelaViva)
Marias, Marias - Mulheres em Luta – Representações Cinematográficas
No último dia 13 de fevereiro, a paraibana, de Sapé, Elizabeth Teixeira, trabalhadora rural e ativista, completou 100 anos. Sua luta, sua importância e história foram protagonistas de um dos grandes documentários do cinema mundial, “Cabra Marcado Para Morrer”, de Eduardo Coutinho, de 1984 (Disponível gratuitamente no Itaú Cultural Play).
A obra contribuiu para que a história de Elizabeth Teixeira fosse conhecida e eternizada, uma história de muito sofrimento desde a morte de seu marido João Pedro Teixeira, assassinado por latifundiários em 1962, pelo seu ativismo e liderança na liga camponesa de Sapé, fato que inspirou Coutinho a realizar o filme com a participação de Elizabeth e seus filhos.
Com o golpe dos militares em 1964, no ano em que o filme começou a ser produzido, foi abruptamente interrompido e todos que participavam da produção tiveram que fugir, inclusive Elizabeth, que liderava os trabalhadores do campo de Sapé no lugar de seu marido. Sua luta era pelo direito à terra e à dignidade. O documentário foi retomado 17 anos depois, mostrando os estragos do latifúndio e do governo militar na vida da família Teixeira. Viva!! Elizabeth!!
Hoje a dica de filmes será em homenagem a essas mulheres guerreiras que ajudaram e ajudaram a construir um país mais justo. No entanto, gostaria de abrir um parêntese já que na semana passada, 14/02, tivemos a perda de uma referência do cinema nacional, o alagoano de Maceió, Cacá Diegues, que faleceu aos 84 anos no Rio de Janeiro e que nos deixou um legado, sua obra. Realizou clássicos do Cinema mundial, é um dos mentores do Cinema Novo brasileiro, é sem dúvida, um capítulo da história do cinema brasileiro. Em sua homenagem indicamos o clássico, “Bye Bye Brasil”, de 1980. O filme traduz os estragos da ditadura militar no Brasil. Disponível na Globoplay, Mubi e Looke.
Outras “Marias” se destacam na luta por dignidade do trabalhador do campo, contra o trabalho análogo a escravidão, que infelizmente é um problema presente no país. No filme “Pureza”, de Renato Barbieri, 2022, temos a história de Pureza Lopes Loyola, uma mãe que foi em busca de seu filho que estava sendo forçado ao trabalho escravo em uma fazenda. Pureza se tornou uma ativista contra o trabalho escravo e ao tráfico humano. Quem interpreta Pureza no filme é a atriz Dira Paes. O filme está disponível na Globoplay.
No longa “A Mãe” de Cristiano Burlan, 2022, com o protagonismo de Marcélia Cartaxo, que faz o papel de Maria, uma mãe em busca de seu filho desaparecido e acaba se unindo às “Mães de Maio” que tiveram seus filhos brutalmente assassinados em maio de 2006, quando cerca de 500 jovens morreram assassinados pela polícia, em represálias aos ataques do PCC na época. O filme representa essa luta incansável pelo filho em um cenário em que vemos a única herança da ditadura militar na sociedade: a violência, ainda perseguindo e matando as pessoas das regiões periféricas, principalmente pessoas negras. O filme está disponível na Apple TV e para aluguel no Google Play.
No premiado documentário “Indianara”, de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, 2019, vemos a luta de Indianara Alves Siqueira e sua luta representando a comunidade LGBTQIAPN+ e da CasaNem no Rio de Janeiro, uma casa que acolhe pessoas trans em vulnerabilidade social, dando dignidade e autoestima para todes. Uma grande e inspiradora brasileira. Uma das grandes “Marias” do país. O documentário está disponível no Google Play para aluguel.
“Sementes: Mulheres Pretas no Poder”, de Éthel Oliveira e Júlia Mariano, 2020. Representa o levante político de mulheres pretas frente ao assassinato de Marielle Franco, assassinada violentamente por milicianos, sua morte não ficou impune e motivou Mulheres a lutarem contra a violência e por representatividade política acompanhado a campanha de mulheres negras candidatas nas eleições de 2018 em resposta a mentalidade fascista que dominava o discurso no momento. Filme disponível na FILMICCA.
No século XXI tivemos um grande fato histórico, pela primeira vez uma mulher se tornava presidenta do Brasil e que infelizmente no seu segundo mandato sofreu um golpe por parte de políticos de oposição que forjaram um impeachment contra Dilma Rousseff, depondo uma presidenta democraticamente eleita. Esse episódio nefasto de nossa história está representado no filme “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, 2018. O filme está disponível na FILMICCA.
Essas foram as dicas para o final de semana, repleta de homenagens. Filmes que nos trazem consciência política e que nos ajudam a entender um pouco mais sobre o país em que vivemos e sobre a América-Latina.
Por Angelo Corti, idealizador do Cine Livre Latino-Americano
Anúncios via plataformas de streaming aumentam intenções de compra
Na pesquisa "Por que a TV em streaming é uma compra obrigatória”, realizada pela Magnite, uma plataforma de sell-side independente de publicidade omnichannel, conduzida em cinco mercados globais, o Brasil sendo um deles, demonstrou que os anunciantes brasileiros têm se mostrado muito contentes com o resultado da publicidade nas transmissões de programas de TV via streaming, uma forma que só cresce entre a audiência brasileira.
Com cerca de 86 milhões de pessoas assistindo ao conteúdo da TV via streaming, 81% viram o conteúdo suportado por publicidade. Além dos bons números, o Brasil se destaca na audiência da TV via streaming entre os países da América Latina com uma média diária de três horas, sendo que 91% dizem assistir diariamente e 98% assistem a pelo menos uma hora por dia.
Rafael Pallares, vice-presidente da Magnite na América Latina, disse que o streaming de TV no Brasil se mostra um divisor de águas para os anunciantes ao oferecer um ambiente premium que entrega resultados impactantes e mensuráveis, sem paralelo com qualquer outra plataforma de vídeo digital, nem mesmo o YouTube do CEO Neal Mohan, que em carta aberta publicada no blog do YouTube, fez algumas afirmações como a de que o YouTube está se tornando a nova TV, já que ficou no passado a ideia de que o aplicativo pertence apenas às telas pequenas.
Ao afirmar que mais pessoas nos EUA veem o YouTube em suas TVs, o CEO da empresa afirmou que há trabalhos ocorrendo internamente para melhorar a experiência nas telonas. Ele também focou na audiência, ao falar que 1 bilhão de horas de conteúdo da plataforma foram vistas nas TVs. Ele também afirmou que a "nova" TV não parece em nada com a "velha", e nós, do Simplificando Cinema, concordamos com essa afirmação, já que acreditamos que a audiência do YouTube e da TV, seja ela via antena ou via streaming, se complementam e não se excluem, mas ficamos felizes em saber que a plataforma vai bem, assim não terão do que reclamar quando a tão esperada regulamentação das plataformas de vídeo sob demanda avançar na Câmara e no Senado do Brasil.
Voltando ao assunto publicidade, a Amazon Ads anunciou a chegada da Brand+, uma solução de publicidade para serviços de streaming e vídeo sob demanda como são, respectivamente, Amazon Prime Video e a Twitch. O recurso usará inteligência artificial para analisar os sinais de compra, navegação e streaming em todo o ecossistema da Amazon, assim poderá prever melhor quais produtos o perfil de cada telespectador se encaixa. A ferramenta promete facilitar para os anunciantes, que durante a fase beta do Brand+ dizem perceber um aumento de 10% nas vendas e 70% no tráfego do site.
Mais de uma década separa o surgimento streaming, e com ele a promessa do fim da TV e seu "arcaico modo" de negócio baseado em publicidade, e agora as plataformas, sejam as de streaming que já se desenham para a TV 3.0 ou as de vídeo sob demanda como YouTube, correm atrás do tempo perdido e buscam na publicidade uma forma de aumentar seus lucros. Pelo visto a velha TV ainda tem uns truques a ensinar às modernas plataformas que surgiram nos últimos vinte anos. (No TelaViva)
Verdecine abre inscrições para curtas e longas-metragens
Entre os dias 21 de fevereiro e 17 de março de 2025, a Verdecine - Festival Socioambiental de Filmes, abrirá a chamada pública para inscrição de curtas e longas-metragens. Com mês já definido para junho, e localizado na cidade de Lavras - Minas Gerais, o festival usará do audiovisual para provocar o debate acerca da interação do ser humano com o meio ambiente.
O festival abordará o objetivo 11 da agenda 2030 da ONU, o de tornar as cidades e os assentamentos humanos locais inclusivos, seguros e sustentáveis. Os filmes inscritos precisam contemplar esse debate, seja de forma direta ou transversal. As incríveis devem ser feitas via formulário online, dividido entre curtas e longas.
Podem ser inscritos filmes de todos os gêneros e anos da produção, mas será necessário que sejam classificados como livres para todos os públicos. Os filmes precisam ser enviados via link das plataformas YouTube ou Vimeo, acompanhados da sinopse, ficha técnica, ano de produção e outras informações relevantes. Os responsáveis pelos filmes selecionados receberão um cachê de R$ 500.
As produções podem ser inscritas em uma das três mostras territoriais: Mostra Brasil para filmes de todo o país, Mostra Mineira para filmes de Minas Gerais e Mostra Campos das Vertentes para filmes dessa região específica de Minas. A curadoria do festival será a responsável pela seleção dos filmes, os escolhidos serão revelados em abril deste ano. (No TelaViva)
Brasil liderou presença latina-americana no Festival de Berlim
O cinema brasileiro liderou a presença latina no Festival de Berlim no segmento Generation, uma mostra do festival dedicada ao amadurecimento, com os programas Generation Kplus e Generation 14plus.
No segmento 14plus, focado na infância, tivemos a estreia da diretora brasileira Rafaela Camelo com a "A natureza das coisas invisíveis", uma coprodução entre Brasil e Chile.
No segmento 14plus, focado na adolescência, o novo filme da diretora Lucia Murat, "Hora do Recreio" chegou até o público. Ainda neste segmento tivemos dois curtas, "Arame Farpado" dirigido por Gustavo de Carvalho, e a coprodução entre Brasil, Chile e Colômbia, "Atardecer en América" dirigido por Matías Rojas Valencia.
Entre as exibições especiais do Generation no segmento 14plus, ainda tivemos a série brasileira "De menor", da Caru Alves de Souza. (No Latam Cinema)






