TV 3.0 entra na fase decisiva
#Edição 135 | Ministério das Comunicações detalha regulamentação, financiamento e futuro do espectro, que também envolve o setor audiovisual
O Ministério das Comunicações está na reta final dos preparativos para o lançamento da TV 3.0 no Brasil. As primeiras operações estão previstas para junho deste ano, inicialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, onde a Globo já confirma exibições para a Copa do Mundo. Já para o segundo semestre, Brasília pode despontar como a terceira cidade do Brasil a receber a novidade.
Em entrevista ao portal Tela Viva, o secretário de radiodifusão, Wilson Wellisch, deu mais detalhes sobre o processo de implementação da TV 3.0 no país e ainda sobre a posição das teles nesta mudança.
Segundo o secretário, o Ministério prevê que todas as portarias sejam publicadas antes de junho. Paralelamente, a Anatel elabora atos técnicos e o Plano de Distribuição de Faixas de Frequência (PDFF) para destinar a faixa de 300 MHz à radiodifusão, fundamental para a transmissão de conteúdos em 4K.
Para acelerar a transição, o governo captou US$ 250 milhões junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e outros US$ 250 milhões com o Banco Mundial, totalizando cerca de R$ 3 bilhões em linhas de crédito. Os recursos serão canalizados por meio da estrutura do Fust, sem uso do fundo em si, e poderão ser operados por agentes financeiros públicos ou privados.
Questionado sobre o setor das teles cobiçar uma faixa de 600 MHz, que apresenta uma frequência baixa e oferece um amplo alcance de sinal para expandir a cobertura via 4G e 5G, Wellnisch sinalizou que a faixa é estratégica para a TV digital móvel via 5G Broadcast, tecnologia que já está sendo testada em Curitiba e em São Paulo, mas qualquer mudança neste sentido vai exigir esforços regulatórios.
Embora a entrevista não entre na questão audiovisual em si e como as mudanças da TV 3.0 irão impactar o setor, conseguimos perceber que as telecomunicações, encabeçadas pela Claro e SKY, já estão à frente da mudança tecnológica capaz de sustentar os boxes de TV por assinatura com maior qualidade, o que também impulsiona as plataformas de streaming continuarem no seu movimento de migração da TV paga tradicional para a dita TV online, hospedando sua programação linear no VOD, respaldado por investimentos públicos enquanto continua a renunciar tentativas de taxação no setor audiovisual.
TV Brasil destina R$ 32 milhões para produções infantis e infantojuvenis em seu novo edital
Foi confirmado o resultado da chamada pública da Seleção TV Brasil: o investimento será de R$ 32 milhões em obras voltadas ao público infantil/infanto-juvenil. Esse valor vem do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e financiará oito obras que serão integradas à programação da TV Brasil e de parceiras da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).
A faixa da TV Brasil Animada ocupa 33 horas semanais, com exibição diária de segunda a sábado no horário das 7h às 12h30. Esta faixa de horário da emissora já transmitiu animações nacionais de prestígio como ‘Peixonauta’, ‘O show da Luna’ e ‘Meu amigãozão’, todas elas independentes.
A importância do FSA no fomento desse segmento do audiovisual nacional é crucial. Profissionais e produtoras do setor estão em risco com o projeto de lei que regulamentará o streaming e dará de presente 60% de desconto nos 4% da cobrança da Condecine para que as plataformas possam investir esse dinheiro em produções originais. Por mais pífio que essa porcentagem seja, o Senado busca diminuí-la para 3%, aumentando o presentão que será dado às plataformas caso esse PL seja aprovado.
E como diz o ditado, desgraça pouca é bobagem. Esse PL causará ainda mais problemas a um setor que precisa lidar com a pejotização e fuga de cérebros. É o que diz a pesquisa que terá seus dados apresentados pela Marta Machado e Adriana Pinto no canal do YouTube do Subversiva Studio, no dia 25 de março.
Embora a pesquisa aponte que já em 2012, 14 anos atrás, a pejotização já fosse uma realidade para o setor, ela se agravou, seja por questões financeiras, seja por questões institucionais [o que eu presumo envolva o golpe na Dilma e a Reforma Trabalhista do canalha chamado Michel Temer]. Assim o trabalhador do setor é contratado para fazer parte de esquipes enquanto rolam as produções, após a conclusão ele está à procura de um novo projeto para poder trabalhar, tudo isso causa uma instabilidade ao setor, e o que resta para os trabalhadores é arcar sozinho com os riscos.
Com a expansão das produções internacionais, surgiu a possibilidade dos profissionais brasileiros trabalharem à distância em empresas estrangeiras que oferecem salários em uma moeda mais forte que o real, tornando o mercado internacional muito mais atraente para os profissionais brasileiros.
Estes, por sua vez, foram formados por nossas universidades, com recursos do Estado brasileiro, mas acabam trabalhando para estúdios estrangeiros por questões financeiras (e ninguém pode culpá-los por isso). (No Tela Viva)
Corridas de Fórmula 1 somam mais de 245 milhões de horas de consumo nas Smart TVs da Samsung
De acordo com a Samsung Ads, braço responsável pela publicidade nas Smart TVs da empresa sul-coreana no Brasil, a popularidade da Fórmula 1 (F1) é bem alta nos televisores da marca no ambiente das Connected TVs (em tradução livre, TVs conectadas, um termo usado para se referir à TV online).
As competições passadas registraram mais de 245 milhões de horas de tela da marca conectadas a transmissões da modalidade, com 155 milhões de impressões que geraram 245 mil cliques em publicidade. Esses números são maiores na etapa local da F1, o circuito de Interlagos - SP. Todo esse potencial de arrecadação para o Estado brasileiro, sua cultura, é desperdiçado num contexto em que as empresas dos canais de TV online atuam sem qualquer regulamentação estatal, um aperitivo do que será a TV 3.0 no Brasil. (No Tela Viva)
O Nordeste no Oscar
Raparigou ou não raparigou? Ser ou não ser? Eis as questões. O certo é que a cultura nordestina é a cultura brasileira. É o Brasil representado no cinema desde os primórdios dos grandes festivais, como o Festival de Cannes, que, em 1953, já premiava “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, como Melhor Filme de Aventura, antes da cobiçada Palma de Ouro, sendo que o filme é uma produção paulista da Companhia Vera Cruz.
Mas se faltava a Palma de Ouro na história, ela entrou em 1962 sendo entregue ao “Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, como o Melhor Filme do Festival de Cannes. O filme também representou o país no Oscar.
“O Pagador de Promessas” foi o primeiro filme a representar o país no Oscar em 1963, baseado na peça homônima do soteropolitano Dias Gomes, trazendo a cultura da Bahia, o sincretismo religioso, da cultura afrodescendente, do popular, para as telas dos cinemas mundiais, mas sob o olhar de um paulista.
O Brasil já esteve no Oscar representado por sua diversidade cultural do Sul ao Nordeste do país, mas é a primeira vez que um cineasta nordestino (Kleber Mendonça Filho), representando sua própria cultura, tem um filme indicado ao Oscar com grandes chances de promover um Carnaval fora de época puxado pelo bloco da Pitombeira de Recife, que no filme “O Agente Screto”, surge através de uma camiseta vestida pelo protagonista do filme, Wagner Moura que também tem chances de fazer história, sendo indicado ao Oscar na categoria de Melhor Ator.
“O Agente Secreto” (disponível na Netflix) está sendo indicado em 4 categorias. O Oscar será transmitido pela Rede Globo no dia 15 de março, neste domingo, depois do Fantástico. Estamos na torcida pelo bicampeonato.
O fato é que com o Oscar ou sem o Oscar, o cinema nordestino é a história do cinema brasileiro, desde o Ciclo de Recife, que lançou 13 filmes entre 1923 e 1931, até a estreia de Glauber Rocha, que completaria hoje 87 anos e estreou no cinema em longa metragens aos 23 anos de idade com “Barravento”, em 1962. Lembrando que Glauber é filhote de cineclube, o que mostra a importância dos cineclubes na formação de cineastas em tempos em que não existia curso de cinema no país.
Na América Latina, um dos primeiros cursos de cinema em nível universitário, dentro de uma estrutura universitária, foi em 1956, na Argentina, a Escola de Documentário de Santa Fe, fundada por Fernando Birri, considerado o pai do Nuevo Cine latino-americano, que ontem, dia 13 de março, marcava seu nascimento e que foi lembrado no perfil do CineLivre no Instagram.
Da Escola de Documentário, o primeiro filme realizado pelos alunos é um marco do cinema do nosso grande continente: “Tire Dié”, que está disponível no Cine.ar.
Só para lembrar pois, Fernando Birri é de extrema importância e foi contemporâneo de Glauber Rocha e inclusive se tornaram amigos.
Isso mesmo. Agora o CineLivre está no Instagram pra você seguir e conferir as dicas de filmes latino-americanos. Lá você vai encontrar uma listinha de filmes pernambucanos pra curtir no streaming.
Acabei deixando de fora da lista três filmes importantes pernambucanos, “Propriedade”, de Daniel Bandeira, “Aquarius” e “Bacurau”, todos disponíveis na Netflix.
Tem muitos outros filmes pernambucanos excelentes que, sempre que possível, o CineLivre está indicando.
Todes na torcida por mais um Oscar e na torcida para que algo mude no cenário cinematográfico independente brasileiro, com todas essas conquistas.
Por Angelo Corti, idealizador da página Cine Livre Latino-Americano
Equador projeta 2026 com novas estreias e uma nova lei do audiovisual
O cinema equatoriano entra em 2026 mais otimista do que nos anos anteriores. Após um 2025 marcado por apenas dez estreias em cartaz e outros dez títulos reconhecidos nos principais festivais internacionais, o setor projeta, para este ano, uma programação mais robusta, novos horizontes institucionais e a expectativa de aprovação de uma nova lei de cinema.
A reativação do Instituto de Cine y Creación Audiovisual (ICCA) marca uma virada institucional para o setor. Segundo Rafael Barriga, diretor executivo do órgão, o principal desafio de 2026 é garantir continuidade às políticas de fomento e incentivo ao cinema que, segundo ele, precisam ser descentralizadas e alcançar múltiplos setores.
Essa expectativa é amparada pela possibilidade de aprovação de uma nova legislação para o setor, que deverá complementar avanços regulatórios anteriores.
Anteriormente, o Equador já havia declarado o audiovisual como setor de interesse nacional em todas as suas etapas, do desenvolvimento à distribuição, e criado o Certificado de Inversão Audiovisual, um programa de incentivos tributários voltado a produções internacionais. (No Latam Cinema)
Lei do Audiovisual da Guatemala avança no Congresso após décadas de tentativas frustradas
A Guatemala pode finalmente ter sua primeira Lei do Audiovisual. A iniciativa 5906, apresentada originalmente em 2021 pela bancada Semilla (partido de centro-esquerda do país), passou pela segunda apreciação no Congresso no último dia 10 de fevereiro e aguarda o terceiro e último debate para ser aprovada. No entanto, debates em torno da política audiovisual do país começaram em 2007.
O país é um dos poucos da América Central sem legislação específica para o setor audiovisual, ao contrário de Honduras, Nicarágua e Costa Rica.
A iniciativa prevê a criação do Instituto Guatemalteco de Cine, que funcionará como órgão regulador do setor, com poderes para formular políticas públicas, fomentar a produção e difusão e criar uma Escola Superior Nacional de Cine. O instituto também administrará um fundo de financiamento para projetos cinematográficos, além de apoiar pesquisa, formação e preservação do patrimônio audiovisual.
Em mobilização popular, a AGACINE (Associação de Cinema da Guatemala) e a Academia Guatemalteca de Artes e Ciências Cinematográficas lançaram uma petição no Change.org pela aprovação da lei, que já conta com mais de mil assinaturas.
O movimento também recebeu apoio internacional: a FIACINE, federação que reúne academias de cinema de 14 países ibero-americanos, publicou comunicado endossando a iniciativa.
Para o setor, a ausência de marco legal deixa o país vulnerável. O cineasta e presidente da AGACINE, Joaquín Ruano, declarou que plataformas como Netflix, Amazon e Disney tendem a buscar países com pouca regulação para instalar dinâmicas em que o audiovisual se transforma essencialmente em uma indústria de serviços, sem que os realizadores locais tenham poder de decisão sobre as obras. Realidade que o Brasil já conhece muito bem. (No Agência Ocote)





