TV 3.0 tem estação de testes inaugurada em Brasília
Em uma iniciativa conjunta do Ministério das Comunicações, Anatel e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a estrutura tem o objetivo de testar a nova tecnologia antes da expansão do sinal
Uma estação de testes da TV 3.0 foi inaugurada em Brasília no último dia 14 de abril, em iniciativa conjunta do Ministério das Comunicações (MCom), Anatel e Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A estrutura ficará inicialmente à disposição de emissoras locais para avaliação de alcance de sinal, operação e possibilidades de conteúdo. Após essa etapa experimental, a estação passará a ser utilizada para transmissões da EBC e da Rede Legislativa.
O objetivo é fazer com que a estação sirva como ambiente de validação da tecnologia, antes da expansão para outras capitais, que já planejam as primeiras exibições no novo modelo para junho, durante a Copa do Mundo, inicialmente para São Paulo e Rio de Janeiro.
Como já noticiamos em outras edições, as faixas disponíveis para esse novo sinal já são objeto de disputa também nas operadoras de TV a cabo e internet, como Claro e SKY, que já cobiçam faixas de 600 MHz, capazes de melhorar a qualidade de reprodução em redes móveis.
Em uma declaração que não nos surpreende e nos deixa em modo “se o conselho fosse bom…”, o Ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, foi categórico ao afirmar que o lançamento da TV 3.0 marca um ponto de convergência definitiva entre a televisão e internet.
Em outras palavras, é inevitável não pensar na desidratação gradual da TV paga tradicional, elevando cada vez mais o senso de urgência em debater o ambiente do VOD e da TV 3.0 em si dentro do marco regulatório (Lei do SeAC) que precisa ser atualizado ou ainda embarcar em uma discussão penosa por anos pela conquista de um novo marco legal, o que não é necessário diante da estrutura de legislação que já temos. (Mais no Tela Viva)
Associações da Argentina lançam campanha contra pirataria digital
Na semana passada, contamos como a Ancine ampliou suas ações contra a pirataria no Brasil por conta do lobby das grandes empresas do streaming. Nesta semana na Argentina, o lobby contra a pirataria decidiu lançar uma campanha contra a atividade com uma nova abordagem.
Em um evento em Buenos Aires, na última quarta-feira, 15 de abril, em ação coordenada pela Associação Argentina de TIC, Vídeo e Conectividade (ATVC) e pela Câmara de Produtores e Programadores de Sinais Audiovisuais (Cappsa). A nova abordagem visa a “proteção dos usuários”... claro, assim como as empresas que têm seu sinal distribuído de maneira ilegal.
A ação a pouco menos de dois meses do começo da Copa do Mundo não é apenas uma coincidência, ainda mais que a exibição da Copa em terras hermanas não será como por aqui, eles não terão acesso a todos os jogos da competição de forma gratuita como os brasileiros terão, e até mesmo a compra dos direitos de transmissão dos jogos da seleção ficaram ameaçados pela motoserra da administração Milei, a mesma que nunca chegou perto de ameaçar a tal “casta” que ele dizia que estava com os dias contados durante a campanha eleitoral.
É o tipo de coisa que ocorre por conta do desconhecimento do orçamento público e da escala do dinheiro para um Estado, muita gente acredita que o que faz um país não oferecer serviços públicos de qualidade são coisas como a compra de direitos de transmissão de jogos de sua seleção em uma competição como a Copa, ou como aqui no Brasil tem quem acredite que o fato de ir a um posto e não achar médicos é porque o Lula se hospedou em algum hotel cinco estrelas ao invés de ficar numa pousadinha mais em conta. Retomando o assunto do texto, o mediúnico canino voltou atrás e a transmissão dos jogos da Argentina na Copa na TV pública do país ocorrerá.
Duas falas do Federico Fornelli, presidente da ATVC, chamaram a atenção. Ele destacou como a presença da pirataria está em 50% dos lares argentinos com acesso à internet. Essa informação pode ser lida de duas maneiras: a primeira, e a mais evidente em minha opinião, é que o aumento de custo de vida no país, causado pelas ações do governo Milei, não acompanhou o aumento dos salários, então muitas pessoas foram obrigadas a cortar custos para conseguir equilibrar as contas, o que levou ao cancelamento de planos de streaming/TV a cabo.
A segunda forma de interpretar esses dados é que com a fragmentação, assim como o aumento do valor das assinaturas dos vários serviços de streaming, ficou pesado para se manter todos, o futuro de promessas do fim de TV se transformou de maneira bem rápida em “de alguma forma a TV a cabo voltou”, forçou a população da Argentina a apelar para a pirataria, o que é mais que compreensível se você não for um defensor de corporações, o que não é o nosso caso.
A outra fala destacável é como a pirataria apresenta riscos para os usuários por conta do “roubo de dados”. Claro, não iremos falar aos nossos leitores que sair por aí clicando em links e baixando arquivos em sites de procedência duvidosa não é um risco digital, pois é, muitos golpistas têm acesso aos dados de pessoas assim, então é por isso que se faz necessária a educação do uso seguro da pirataria.
Ao mesmo tempo é muito irônico que um dos pontos do discurso lobista contra a pirataria seja a proteção de dados, já que as corporações, principalmente as Big Techs, nos últimos anos se banquetearam com os nossos dados, venderam, usaram , se aproveitaram aos montes, ou vai dizer que você nunca comentou sobre algo perto de um celular e pouco tempo depois recebeu uma enxurrada de e-mails de varejistas ou várias propagandas e. navegadores de internet? Então, usar esse argumento é de um cinismo desgraçado, ultrajante.
Digam o que quiserem, um mundo sem pirataria para que possam cobrar valores ainda mais altos para que as pessoas possam acessar os serviços sem uma alternativa, porque apesar dos perigos cibernéticos reais de não saber onde buscar o acesso às transmissões e obras audiovosuais, o uso dos dados dos usuários pelas corporações é bem real, inclusive com ganho financeiro em cima disso, sem falar dos inúmeros casos onde empresas tiveram dados sensíveis de seus usuários vazados por conta de hackeamentos. A pirataria é uma forma de driblar esses abusos das corporações, mas é necessário pontuar que ela sozinha não nos salvará.
Sobre o uso dos nossos dados e o valor que as corporações retiram deles, gostaríamos de indicar os textos da Biana em seu perfil no Medium
Eles são primorosos, densos e possuem uma argumentação farta e bem embasada em referências bibliográficas, valem muito a pena serem lidos, pois são textos incríveis, redigidos por quem entende do assunto. (Mais no TaviLatam)
O cinema e a luta dos povos indígenas
O dia 19 de abril é o Dia Nacional dos Povos Indígenas e, lamentavelmente, continuamos presenciando diariamente as violências que esses povos, que tiveram seus territórios invadidos pelos “caras-pálidas”, pelo colonizador europeu, vêm sofrendo há mais de 500 anos.
Do pouco que restou da cultura e do número de pessoas indígenas, ainda se nega que corra sangue indígena no corpo da maioria dos brasileiros e a sua contribuição para nossa cultura e identidade. Seu protagonismo na história do país, por mais que queiram negligenciar, é inegável e muito evidente.
Apesar de termos uma representatividade indígena na política, ainda é pouco. É inegável que os indígenas nunca pararam de lutar pelo seu território. Pouco se comenta do Acampamento Terra Livre, que desde 2004 reúne milhares de indígenas em Brasília e esse ano teve como tema: “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.
Recentemente, os povos indígenas do Tapajós protestaram contra o decreto 12.600, que avançava na privatização de rios. Com muita luta e ocupação de balsas de uma grande empresa exploradora estadunidense, conseguiram a revogação do decreto. Em todo o país, os indígenas continuam lutando; a apropriação de tecnologias tem sido uma importante ferramenta de luta, e o audiovisual tem sido uma forma de denúncia e conscientização sobre a atual realidade dos povos. No Sul do país, os povos Laklãnõ/Xokleng, Guarani e Kaingang travam uma luta intensa por seus territórios e culturas, principalmente contra o Marco Temporal.
O documentário “Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ” (2022), de Barbara Pettres, Flávia Person e Walderes Coctá Priprá, representa a história e a luta do povo Laklãnõ/Xokleng desde a época do princípio da colonização alemã e seus bugreiros, que quase exterminaram os indígenas da região do Vale do Itajaí (SC). Eles sobreviveram lutando e continuam, agora contra um Estado irresponsável e negligente que constrói uma barragem em meio ao território, ocupando a maior parte da terra produtiva e habitável. O filme está disponível no Globoplay.
Ainda no Sul do país, o documentário “Bicicletas de Nhanderú” (2011), realizado por indígenas do povo Mbyá-Guarani, pelo Coletivo de Cinema da aldeia Koenju (RS) e dirigido pelos cineastas Ariel Ortega e Patrícia Ferreira, nos propicia uma imersão no território indígena em nossos tempos. O filme está disponível no Itaú Cultural Play.
Já em Minas Gerais, a luta do povo Tikmũ’ũn (Maxakali) em preservar sua cultura e território é retratada no documentário “Yãmĩyhex: As Mulheres-Espírito” (2019/2020), dirigido por Sueli e Isael Maxakali, que mostra o ritual de despedida dos espíritos das mulheres ancestrais na Aldeia Verde. É um povo que sofreu, inclusive com a ditadura militar, sendo expulso de seu território e deslocado para outras regiões. O filme está disponível gratuitamente no Embaúba Play.
No filme de ficção “Para’i” (2018), de Vinicius Toro, escrito com a colaboração do povo Mbyá-Guarani da aldeia do Jaraguá (SP), vemos o olhar de uma criança para sua própria cultura; mesmo ainda muito jovem, ela tem consciência de sua identidade através da ancestralidade, representada pela preservação do milho “avaxi para’í”, símbolo da resistência de todo um povo. Disponível no YouTube
No documentário de temática indígena “O Território” (2022), de Alex Pritz, é representado um período trágico da nossa história política: a presidência de Jair Bolsonaro que, através de discursos de ódio, promoveu um período de devastação e grilagem nos territórios indígenas.
O filme mostra como o povo Uru-eu-wau-wau, no estado de Rondônia, lida com esse problema e com o uso de tecnologias para auxiliar na preservação de seu território. O filme está disponível no Disney+.
Essas foram algumas dicas de filmes que representam o protagonismo atual dos povos originários na construção de um país. Eles nos indicam os caminhos que precisamos percorrer em relação a políticas públicas e reforçam a importância da preservação dos territórios dos povos indígenas em nosso país.
Por Angelo Corti, idealizador da página Cine Livre Latino-Americano
Grande rede de cinemas estuda a possibilidade de sair da Argentina
E no incrível país das maravilhas neoliberais que é a Argentina, a realidade continua a solapar as lorotas contadas acerca da situação em que vive o país.
Uma das principais cadeias de salas de cinema do país, a Showcase Cinemas, começou um processo de desaceleração de investimentos no país por conta dos altos custos de operação, da profunda crise que vive o mercado audiovisual local e do avanço do streaming. A empresa contratou uma consultoria para avaliar seus ativos no país para a venda da sua operação para quem tiver interesse em assumi-la.
Essa situação na Argentina é fruto de uma mescla de fatores. Como citamos, tem o avanço do streaming no país. Com janelas de lançamento cada vez menores, as pessoas perguntam o porquê de irem aos cinemas quando em menos de 2 meses o mesmo filme estará disponível para que vejam na TV de suas salas. Claro, há outros fatores como a rápida deterioração do poder de compra do argentino causada pela motoserra do Milei, que ele prometeu usar apenas contra “la casta”.
Há também fatores sociais como os fanfarrões que saem de suas residências, pegam trânsito, pagam pelo ingresso, mas preferem passar a sessão inteira no celular. A combinação desses fatores, como a mudança da forma de acessar audiovisual no pós-pandemia, causa em todo o mundo uma preocupação das cadeias de cinema que veem ano após ano o número de pessoas que vão ao cinema diminuir.
Pensando nos grandes complexos de cinema que ficam em shoppings, a queda do poder de compra acentua ainda mais o impacto negativo na venda de ingresso e de guloseimas, se as pessoas estão indo menos aos shoppings por conta da redução do poder de compra, logo estão indo menos aos cinemas nesses espaços.
A redução da venda de ingressos em 2025 já foi inferior à de anos anteriores, e o começo de 2026 não é nada animador. Enquanto isso, os liberais brasileiros têm sonhos molhados com um governo idêntico ao do mediúnico canino, desejando o mesmo para o Brasil. Querem porrada no lombo do povo que se manifestar contra as injustiças que afetem a classe trabalhadora e afagos em uma burguesia cada vez mais rentista.
E como cantam As Meninas em uma música que mais parece um trecho retirado da maior obra do barbudo alemão, a Argentina se encontra numa situação precária onde o rico cada vez fica mais rico, e o pobre cada vez fica mais pobre, e a motoserra continua bem longe da tal casta. (Mais no iProfesional)
Netflix amadurece oferta de transmissões ao vivo na plataforma
E a Netflix fez mais um movimento de mercado em direção às transmissões ao vivo em sua plataforma. A empresa adquiriu os direitos de transmissão de duas competições de futebol da CONCACAF (o órgão regulador do futebol na América Central/Norte e no Caribe) para o México, a Copa Ouro da CONCACAF e as finais da Liga das Nações da CONCACAF.
A Netflix já tinha garantido os direitos de transmissão da Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2027 que será sediada no Brasil, assim como a de 2031 com sede no EUA e Porto Rico.
A empresa também demonstrou interesse na maior competição de clubes da Europa, a Champions League, e prepara uma ofensiva pesada pela competição no próximo ciclo de negociação pelos direitos de transmissão que ocorrerá em 2027.
Nos últimos anos, a Netflix demonstrou interesse nas transmissões esportivas em sua plataforma. Foram lutas de boxe, jogos da liga estadunidense de beisebol, assim como jogos da NFL, a liga de “futebol” americano. A empresa enxerga o potencial do aumento de assinaturas com as transmissões esportivas e mantém investimentos nos esportes.
Enquanto a Netflix expande seu leque de transmissões para além das obras audiovisuais, o legislativo brasileiro prepara um PL de regulamentação do streaming com mais furos que a rede das balizas do futebol. (Mais no TaviLatam)
México aprova nova Lei Federal de Cinema e Audiovisual após três décadas
O Senado mexicano aprovou, no último dia 15 de abril de 2026, a Lei Federal de Cinema e Audiovisual, renovando o marco legal do setor após mais de 30 anos. A proposta, impulsionada pela Secretaria de Cultura, estabelece novas regras para a produção, distribuição, exibição e preservação de conteúdos cinematográficos e audiovisuais, com o objetivo de fortalecer a identidade nacional e garantir acesso a uma oferta mais ampla e diversa de obras mexicanas.
Entre as mudanças está a criação de uma cota de tela obrigatória para a janela do cinema. Segundo a legislação, ao menos 15% da programação de cada sala de cinema deve ser ocupada por filmes mexicanos.
A cota deve ser calculada por sala de maneira individual e inclui produções nacionais que sejam documentais, ficcionais e até mesmo no formato de curta-metragem.
Neste ponto, o México dá um passo muito mais positivo que o Brasil na formação de público, já que a exigência recai na programação de quase 8 mil salas espalhadas pelo país e não somente em parâmetros de uma porcentagem mínima de tela, horários nobres e permanência em cartaz.
Além disso, a lei recria a Cinemateca Nacional como órgão autônomo responsável pela preservação, restauração e difusão do patrimônio audiovisual. A instituição terá autonomia técnica e de gestão, com foco na digitalização de acervos, formação de público (especialmente crianças e adolescentes) e apoio à pesquisa especializada.
Outro ponto que trouxe esperança para o setor audiovisual local, especialmente o independente, é que a nova legislação também reconhece direitos trabalhistas e de propriedade intelectual dos profissionais, o que acaba dando uma maior autonomia para gerir contratos com as plataformas de streaming de modo bem menos abusivo do que vemos em mercados desregulamentados na América Latina.
Estímulos fiscais a projetos que impulsionem a diversidade cultural e linguística também foram parte da nova legislação, que inclui produções em línguas indígenas.
Apesar de parecer uma legislação bastante robusta, o texto já ganhou algumas críticas construtivas do próprio setor independente. Conforme abordamos em outra edição, o sistema de créditos fiscais, ao invés de um financiamento direto, pode afastar empresas pequenas de conquistarem o investimento, concentrando os valores somente em grandes produtoras, sem uma mudança efetiva na prática. (Mais no InfoBae)





