Simplificando Cinema #82
MinC publica apoio à regulamentação do streaming pela primeira vez | Ministério Público exige medidas de acessibilidades nos serviços de streaming | Chile estimula cinema nacional nas escolas
Após passar todo 2024 calados frente às mobilizações do setor audiovisual para a regulamentação do streaming, no último domingo (12/01), a ministra da Cultura, Margareth Menezes, publicou um artigo no site oficial do Ministério da Cultura (MinC) enfatizando a necessidade de se aprovar a regulação.
Emperrado na câmera e no senado, o projeto de lei é alvo do lobby estrangeiro que luta ferozmente contra a regulamentação dessa categoria. A ministra ainda afirmou que sua pasta está sempre em diálogo com o Congresso, com os trabalhadores do setor e que demanda muito vigor para a aprovação dessa pauta.
O principal ponto do projeto é alíquota de, no mínimo, 6% do Condecine, o calcanhar de aquiles de todo o imbróglio, já que com essa aprovação, o Brasil se tornaria o segundo país a cobrar o tributo mais alto das plataformas, algo visto, é claro, com desdém dos conglomerados.
Surpreendentemente ou não, a ministra também defendeu outros pontos importantes quando se fala de regulamentação do streaming: participação brasileira nos lucros das obras, preservação dos direitos autorais e patrimoniais (ou seja, a obra precisa continuar sendo brasileira) e uma simetria junto a todo marco regulatório da mídia no Brasil.
O último ponto chama bastante atenção, uma vez que a apesar de não citar a Lei do SeAC – popularmente conhecida como Lei da TV Paga e nosso atual marco regulatório – parece ser o atual foco do MinC aprovar a regulamentação já dentro deste esquema. (entenda aqui o porquê isso é importante e relevante)
Apesar de ser uma excelente sinalização, ainda não há nada concreto na comunicação ministerial que aponte para uma nova tentativa de mudança nos pontos defendidos por Margareth e que seguem não sendo contemplados pelos PLs em tramitação. (No TelaViva)
Ministério Público exige que plataformas de streaming estabeleçam medidas de acessibilidade nos catálogos
O Ministério Público emitiu uma ação pública contra a ANCINE e ANATEL contra as plataformas Netflix, Disney+ e YouTube, exigindo que adotem medidas de acessibilidade para que as pessoas com deficiência, questão assegurada pela legislação brasileira. Tal ação foi ajuizada na justiça federal de São Paulo e conta com o Ministério Público Brasileiro.
O Ministério Público Federal exigiu que Netflix, Disney+, Globoplay, Max, YouTube, Prime Video, AppleTV e Paramount+, incorporem em suas respectivas plataformas, num prazo máximo de 120 dias, funções de acessibilidade previstas na instrução normativa n° 165 da Ancine.
O MPF também busca que essas plataformas paguem uma indenização de R$ 23 milhões de reais por conta de danos morais a todas as pessoas com deficiência do Brasil. O valor será destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, o FDD.
É importante destacar que a questão da acessibilidade nas plataformas de streaming não está contemplada no atual texto regulamentação. (No Observacom)
Disney diz ter 157 milhões de usuários ativos nos planos com anúncio
Mais de dez anos após prometer revolucionar a forma de acompanhar séries e filmes num mundo sem comerciais, o streaming adota os planos com publicidade como uma forma de aumentar os lucros como acontece desde os primórdios da TV.
A Disney, dona das plataformas Disney+, Hulu (não disponível no Brasil) e ESPN+ (no Brasil, o conteúdo está disponível no Disney+), divulga que tem 157 milhões de assinantes ativos nos planos com publicidade, sendo 112 milhões nos EUA e Canadá, onde a modalidade está ativa há mais tempo. Foi a primeira vez que a Disney compartilhou com o público o número de usuários ativos nos planos com publicidade em suas plataformas.
Contudo, é necessário apontar para algumas fragilidades nas métricas da Disney. A empresa afirma que será contabilizado como um usuário ativo aqueles que assistiram a pelo menos dez segundos de publicidade nos últimos seis meses. Outro problema em seu método de contabilização de usuários ativos é que a empresa conta como usuários diferentes pessoas que assinem mais de um serviço da Disney. Então caso um estadunidense tenha uma assinatura ativa de Disney+, Hulu e ESPN+, ele será contabilizado como três usuários. Para além dessa questão, a Disney ainda multiplica o número total por 2,6 usuários para cada conta ativa, pois a empresa afirma que esse é o número da média global de usuários em uma mesma conta.
Cada vez mais as métricas das plataformas de streaming se mostram frágeis, desconexas da realidade e com brechas abertas propositalmente pelas empresas para parecerem maiores do que realmente são.
Vale lembrar que estamos falando das mesmas empresas que contam como visualização os poucos segundos de audiência em um episódio de uma série ou em um filme. Uma batalha a ser travada no futuro pelos países e suas respectivas agências de regulamentação será a exigência que as empresas de streaming que caminham para a transformação na TV 3.0 sejam mais transparentes com seus números, e que haja formas independentes de contabilização da audiência como já existe no caso da TV aberta/fechada. (No TelaViva)
Além da Linha do Equador: Divas Latino Americanas - 2ª parte
Foi notório o depoimento de Fernanda Montenegro sobre o feito da filha Fernanda Torres, que também homenageou a mãe ao receber o Globo de Ouro e destacar que Fernanda Montenegro foi indicada à mesma premiação há 25 anos, por sua atuação no filme “Central do Brasil” (1998), também de Walter Salles.
Uma história muito bem tramada sobre uma professora aposentada, Dora (Fernanda Montenegro) que escrevia cartas para pessoas humildes, revelando um país com o analfabetismo presente, que por obra do destino acaba conhecendo um garoto, que fica desamparado e por algumas circunstâncias, Dora resolve ajudar o garoto a retornar ao nordeste, indo ao encontro de seu pai.
Um dos grandes filmes do cinema nacional, Fernanda Montenegro levou o Urso Prata de melhor atuação no Festival de Berlim pelo seu protagonismo em “Central do Brasil”, onde o longa também levou o Urso de Ouro de melhor filme. Fernanda Torres pode realizar o mesmo feito da mãe e ser nomeada ao prêmio de melhor atriz no Oscar 2025. As chances são grandes. (Central do Brasil está disponível na Netflix e Globoplay)
Outra atriz brasileira se destacou sob a direção de Walter Salles foi a talentosa Sandra Corveloni, que levou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes de 2008 por sua atuação em “Linha De Passe”, que trata sobre os sonhos e dificuldades de uma família da periferia de São Paulo. O filme está disponível para aluguel no YouTube Play.
Outras atrizes latino-americanas também se destacaram em grandes festivais internacionais sendo protagonistas de excelentes filmes, onde destacamos a colombiana Catalina Sandino Moreno que também foi indicada como melhor atriz no Oscar de 2005 no filme “Maria, Llena Eres de Gracia”, 2004, de Joshua Marston. Foi premiada com o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim de 2004. O filme representa a cooptação de pessoas em vulnerabilidade social pelo tráfico de drogas, que aceitam transportar drogas dentro do próprio corpo (mulas) e toda violência que isso implica. Um excelente filme disponível na plataforma do Max.
Outra dica de é o longa mexicano “Roma” (2018) de Alfonso Cuarón, para conferir a atuação da mexicana Yalitza Aparício, uma mulher indígena, sem experiência como atriz e logo em seu primeiro trabalho no cinema, foi protagonista e indicada ao Oscar por sua atuação.
O filme tem como base a infância do realizador Alfonso Cuarón, que cresceu no bairro Roma, da Cidade do México, onde a protagonista se envolve em todo o contexto histórico da época, envolvida no âmago de uma família burguesa que vive o fim de um casamento. O filme tem como contexto o México do final dos anos de 1960, precisamente em 1968 no período que ocorreu o massacre de Tlatelolco, resultando na morte de centenas de pessoas na capital do país. Também faz uma representação das diferenças sociais violentas que castigam a população indígena originária. O filme está disponível na Netflix.
Do Chile temos o excelente “Glória”, de Sebastián Lelio, 2013, que fez brilhar o talento da chilena Paulina Garcia. Seu protagonismo se estendeu para o Festival de Berlim de 2013 onde foi reconhecida com o Urso de Prata de melhor atriz. Um filme feminista, do empoderamento de uma mulher de meia-idade, diante de uma sociedade conservadora e machista. O filme está disponível na Mubi.
Em 2018, a atriz paraguaia Ana Brun entrava para a história de seu país, ganhando o Urso de Prata de Melhor Atriz do Festival de Berlim, por seu protagonismo em, “Las Herederas”, de Marcelo Martinessi. O filme trata de um casal de lésbicas que viviam da herança de suas famílias e que se desfaziam de seus bens para sobreviverem. O desgaste no relacionamento abriu espaço para um novo amor e sentimentos renovadores. Filme disponível na Reserva Imovision.
Fechando a lista de indicação de filmes das nossas divas latino-americanas que fizeram sucesso em grandes festivais e premiações, indicamos o filme “Frida”, de Julie Taymor, 2002, para apreciar a atuação de Salma Hayek, interpretando Frida Kahlo que levou a atriz mexicana a fazer parte do seleto grupo de atrizes latino-americanas a serem indicadas ao Oscar de Melhor Atriz em 2003. Disponível no Apple TV.
Vamos ficar na torcida para que a nossa Fernanda Torres faça história sendo indicada ao Oscar de Melhor atriz. As chances são grandes e fica a nossa expectativa para sua nomeação.
A importância desses reconhecimentos internacionais está na representatividade dessas mulheres talentosas, abaixo da linha do Equador, que não passam despercebidas. A também todo um reconhecimento de um coletivo de profissionais que fortalece o cinema latino-americano.
*Se ficou algum nome fora das indicações, por favor mandem uma mensagem para a Newsletter.
Por Angelo Corti, idealizador da página Cine Livre Latino-Americano
Grupo Mileto se torna ‘stalking horse’ em venda de ativos da TV por assinatura
Em 9 de janeiro de 2025, a Oi anunciou que fechou acordo com o grupo Mileto para a venda da sua unidade de TV por assinatura. A Mileto qualificou-se na condição de stalking horse, que lhe dá o direito de cobrir ofertas de maior valor que sejam apresentadas a Oi pela compra de sua TV a cabo.
O processo competitivo correrá sob o pedido de recuperação judicial da Oi, assim como foi com outros ativos da empresa.
Como apontado em final de dezembro, a Mileto pretende adquirir a TV por assinatura (SeAC), base de assinantes, equipamentos, terminais associados, demais ativos, direitos e obrigações relacionadas à operação. (No TelaViva)
Canal RCN anuncia lançamento de streaming gratuito na Colômbia
Se tornando cada vez mais uma tendência entre alguns canais de TV aberta, o conceito de streaming gratuito com canais FAST dedicados a diversos gêneros diferentes vem tomando cada vez mais a atenção dos consumidores.
Na última semana, o canal de TV aberta da Colômbia, RCN, anunciou o lançamento de uma plataforma gratuita e que será abastecida por meio do sinal principal da emissora, ponto que faz com que voltemos a discussão básica de que o streaming será, em breve, nossa TV no digital.
Entre as novidades do serviço está a possibilidade de contar com o sistema de Catch Up TV, que permite o usuário pausar e retornar um programa ao vivo do início sem perder nada.
A Colômbia, que atualmente taxa as plataformas de streaming com impostos nacionais, ainda não tem clareza efetiva sobre uma possível regulamentação focada na indústria audiovisual do país. (No TaviLatam)
Chile investe em programa de cinema nas escolas
No fim de semana passado foi realizado no Centro Cultural de La Moneda, no Chile, o Encontro Nacional das Escolas de Cinema, projeto que completou 10 anos e pretende levar o cinema para dentro da sala de aula.
Com o nome de ‘Escuela al Cine’, o projeto começou há mais de 10 anos, com a organização da Cineteca Nacional do Chile, financiado pelo Ministério de Culturas, Artes e Patrimônio. Esta iniciativa é um complemento ao trabalho de preservação e divulgação do cinema chileno feito pela Cineteca, com foco na valorização do audiovisual como memória histórica e cultural do país.
O projeto nasceu com uma ideia ambiciosa, a formação de professores que pudessem abrir cineclubes nas escolas de todo o país para discutir filmes de diferentes épocas do Chile e assim debater, construir reflexões com seus estudantes.
Uma movimentação interessante para o Brasil, um país dominado pelo audiovisual estadunidense, condição responsável por importar debates que não se aplicam à realidade brasileira.
O Chile mostra através desse projeto que cinema como arte também é uma maneira de preservação da história e cultura de um país. (No Ciper)
Fundo de desenvolvimento audiovisual do Paraguai se torna farol para possível industrialização do setor
Sendo o último país hispanofalante da América do Sul a ter uma Lei do Audiovisual e a criar uma agência reguladora direcionada ao setor, o Paraguai desde então vem tentando forcar bons esforços para o desenvolvimento de uma indústria cinematográfica local.
Neste início de 2025, o país anunciou a abertura de mais um edital de fomento focado na pesquisa e desenvolvimento de novas obras, sendo assim um complemento importante para que um filme tome forma.
Em nota, o INAP (Instituto Nacional de Audiovisual do Paraguai) descreve a iniciativa como necessária para a formalização e formação de todos os níveis do setor, sendo uma chance a mais também de gerar novos empregos e renda.
Vale lembrar que o Paraguai foi o país convidado de honra da última edição do Festival de Málaga, na Espanha, um dos mais importantes para o mercado ibero-americano. (No ABC)







Eu amo muito ess newsletter. Espero que mais gente leia e que nunca pare